Não são médicos, mas vendem fármacos na rua

No Haiti, os vendedores de rua são a principal fonte de abastecimento de fármacos. Encontram aí a sua oportunidade de sobrevivência. 

Texto Arnaud Robert   Fotografia Paolo Woods e Gabriele Galimberti

 

Claudine Jourdain, de 33 anos, proveniente do Sul do Haiti, vende medicamentos nas ruas movimentadas de Port-au-Prince.

“Está a ver? Pus a ampicilina ao lado do Tylenol – uma embalagem de comprimidos cor-de-rosa, uma embalagem de comprimidos azuis. As cores têm de combinar bem umas com as outras. Se a minha montra não chamar a atenção, ninguém comprará nada.”
Aristil Bonord ajusta o balde de plástico sobre o ombro direito enquanto fala comigo. No interior, tem uma pilha de lamelas de comprimidos, alta como um totem. A tesoura, utilizada para separar os remédios, espreita no topo. A pilha mantém-se unida graças a tiras de borracha.

Os vendedores de rua funcionam como farmacêuticos e confessores. “As pessoas não têm segredos para nós”, diz Rénold Germain, de 26 anos. “Falam-nos das suas infecções, da digestão e de assuntos sexuais. Temos um comprimido para cada problema.”

Há mais de vinte anos que Aristil deambula pelas ruas de Port-au-Prince com a sua torre de fármacos. Não é farmacêutico – é um vendedor de rua. 
Num pequeno apartamento do bairro de Pacot, localizado na capital haitiana, comerciantes como ele aguardam em fila indiana para serem retratados por Paolo Woods e Gabriele Galimberti. Há muito que os dois fotógrafos – que desenvolvem colaboração no âmbito de um projecto centrado no acesso a medicamentos em mais de duas dezenas de países – se sentem fascinados pelos droguistas ambulantes da cidade. 

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