O fabuloso destino de Iker, o arqueiro

Apesar dos traços negróides de Iker, a máscara funerária com que foi enterrado imortalizou-o com a tez amarelada e uma barba incipiente. Fotografia José Miguel Parra.

No ano seguinte, descobrimos nessa mesma zona uma segunda sepultura, na qual o caixão fora empurrado até ao interior de uma pequena cavidade na rocha-mãe, imediatamente encerrada com grandes pedras. Os indícios fornecidos por esta sepultura permitiram a descoberta prévia de uma bandeja de barro que ficara de fora, à entrada da cavidade, para fazer as libações de despedida do defunto depois de este ser enterrado.

A múmia. Fotografia José Miguel Parra.

Ao lado do caixão, junto ao sector onde a cabeça repousava, havia cinco flechas fabricadas com canas e madeira de acácia. Apesar de também ter corrido água no interior do abrigo rochoso, estavam em bom estado e conservavam algumas plumas de ave na sua extremidade posterior.
As flechas tinham sido intencionalmente partidas para que não pudessem ser utilizadas contra o defunto, por artes mágicas, no Além. Ao contrário do caixão anterior, este estava pintado de vermelho, com uma tira branca que percorria as quatro faces laterais e a tampa fora inscrita com signos hieroglíficos policromados ingénuos, uma característica da XI dinastia, que dominou todo o Egipto a partir de 2040 a.C.

Iker foi enterrado deitado e olhando para leste dentro do seu caixão estreito, com os bastões e arcos colocados sobre si. Fotografia José Miguel Parra.

 A título de curiosidade, o escriba, com a mesma intenção que levara à quebra das flechas, cortou o pescoço à figura da víbora (correspondente à letra f) para que esta não ganhasse vida e atacasse o defunto.
As inscrições invocam as divindades da necrópole, Osíris, Anúbis e Hathor, e pedem-lhes para outorgar ao proprietário um bom enterro e todo o tipo de oferendas. O seu nome, Iker, que significa “o excelente”, surge escrito uma única vez nos pés do caixão.

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