Deuses e fantasmas, o aproveitamento da quarta dimensão pelo espiritismo do século XIX

A quarta dimensão tinha todos os ingredientes necessários para que, no fim do século xix e início do século xx, chamasse a atenção do universo das crenças e da fé: religiões convencionais, novos movimentos religiosos, seitas, o mundo do paranormal, ocultismo, filosofia, teologia, espiritismo, misticismo...

Texto  Raúl Ibáñez Torres

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O filme de Fritz Lang Dr. Mabuse: O Jogador (1922) inclui uma cena na qual uma singular figura, interpretada pelo actor Rudolf Klein-Rogge, dirige uma sessão de espiritismo, representada neste fotograma. Fotografia Getty Images.

Acabaria por transformar-se num tema muito importante no mundo das religiões; para o comprovar, basta olhar rapidamente para os livros e artigos publicados nessa época. Ainda hoje, se realizarmos na Internet uma procura de páginas web e livros, descobriremos que a quarta dimensão continua a ser um tema que cativa o âmbito religioso e filosófico.
O espiritismo, ou seja, a crença de que os espíritos dos mortos se encontram entre nós e estão dispostos a contactar com aqueles que os invocarem, nasceu na Europa no século xix como uma corrente religiosa e filosófica. Rapidamente entrou em força nos Estados Unidos da América, dando origem a uma crescente avalanche de fenómenos paranormais que se estenderia por sua vez ao continente europeu.
Naquela época, um grande número de médiuns, muitos dos quais norte-
-americanos, organizavam sessões para contactar com os espíritos, nas quais misturavam crenças religiosas, misticismos, os sentimentos das pessoas que a eles recorriam com o objectivo de falar com os seus entes queridos, e o espectáculo protagonizado pelos mensageiros do além. O trabalho dos médiuns era mais psicológico e de investigação prévia do que de contacto com os espíritos, e fazia acompanhar-se por truques de magia e teatralidade. Os médiuns encontravam-se permanentemente sob suspeita de fraude, já que o seu mundo estava repleto de parafernálias espampanantes, mas vazio de investigação científica em absoluto.

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