Homens e mulheres audazes do Renascimento

No século XV, triunfou na Europa uma nova concepção do homem, baseada na imitação dos heróis e artistas da Antiguidade clássica e na fé ilimitada na capacidade humana para dominar a natureza.

Texto  Pedro García Martín

 RENASCIMENTO 2

AUTO-RETRATO DE DÜRER Nas suas duas passagens por Itália, o alemão Dürer adoptou a estética do Renascimento italiano, como se reflecte neste auto-retrato de 1498.
Museu do Prado, Madrid.

Comparado com os séculos medievais, o Renascimento foi um período histórico breve, que se estendeu aproximadamente – com diferenças segundo alguns países e historiadores – do início do século XV até meados do século XVI. No entanto, nessa curta etapa, produziu-se uma autêntica revolução a todos os níveis da existência humana.
O Renascimento foi uma época de mudanças jamais vistas, persuadindo muitos homens de que estariam a viver o período mais brilhante da história da humanidade. «Este é um Século de Ouro. Devolveu-nos a luz», escreveu em 1492 o filósofo florentino Marsílio Ficino ao seu patrono Lourenço, o Magnífico. Ficino e outros escritores do seu tempo tinham consciência de que incorporavam a vanguarda de uma nova época: a modernidade.

Os homens do século XV queriam reviver o esplendor desse ilustre passado.

Essa época de ouro, no entanto, era concebida como um espelho do passado, o reflexo da Antiguidade clássica. A Grécia e, sobretudo, Roma foram objecto de admiração ilimitada, pelo legado da sua literatura e da sua arte e pela recordação das fases áureas do domínio político do Império Romano. Os homens do século XV queriam reviver o esplendor desse ilustre passado, ressuscitar uma história eclipsada por séculos de decadência e ignorância. Foi assim que surgiu o conceito de «renascimento».
O artista toscano Giorgio Vasari, no seu livro Vidas dos mais Notáveis Pintores, Escultores e Arquitectos (1550), foi o primeiro a usar a palavra italiana rinascita, «renascimento», para se referir à renovação nas artes e nas letras que estava em curso no seu tempo. Impôs-se assim a teoria da história formulada pelo poeta florentino Petrarca, que via a Idade Média como a «Idade das Trevas», repleta de ignorância e barbárie, que apagara a luz produzida pelos clássicos. O Renascimento significaria, assim, a superação dessa fase tenebrosa para, através do estudo dos modelos literários e históricos da Antiguidade, inaugurar uma nova época de plenitude intelectual e artística.

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