Os grandes fracassos da História

O que seria de nós sem eles?

Texto Hannah Bloch

ALMIRANTE ROBERT E. PEARY - “Descobrir um caminho, ou inventar um”, afirmou o explorador, ao espreitar sobre o gelo árctico na sua terceira tentativa de chegar ao Pólo Norte, em 1909. Nesse ano, ele reivindicou ter chegado lá, mas foi contestado. Fotografia Bert E. Peary, National Geographic Creative.

No fim do século XIX, cativado pelas promessas da tecnologia, um engenheiro sueco de meia-idade, funcionário num gabinete de patentes, teve uma ideia radical. Decidiu usar um balão de hidrogénio e tornar-se o primeiro ser humano a descobrir o Pólo Norte, naquela altura tão misterioso como Marte. Há muito que os exploradores tentavam atingir o pólo por via terrestre e muitos morriam nas tentativas. Salomon August Andrée pensou que uma expedição aérea eliminaria grande parte dos riscos.
Assim, num dia ventoso de Julho de 1897, Andrée e dois colegas mais novos subiram para o cesto de um balão com 20 metros de diâmetro na ilha de Danes, no arquipélago de Svalbard. 
A equipa levava dois trenós de madeira, mantimentos para vários meses, pombos-correio para transmitir mensagens e até um smoking que Andrée esperava vestir no final da viagem. Depois das despedidas e dos aplausos de jornalistas e apoiantes entusiastas, levantaram voo, com o objectivo de flutuar até um sítio nunca dantes avistado por qualquer ser humano.

EXPEDIÇÃO DE BALÃO AO PÓLO NORTE - Membros da viagem de Andrée em 1897 inspeccionam o seu balão caído antes da caminhada fatal de três meses rumo a sul. Esta fotografia foi recuperada de uma máquina fotográfica 33 anos mais tarde, aquando da descoberta dos seus corpos. Fotografia Museu Grenna, AndréExpeditionen Polarcenter/Sociedade Sueca de Antropologia e Geografia.

Pouco depois de se elevarem no ar, o vento fustigou o balão e o nevoeiro congelou sobre ele, puxando-o para baixo com  o peso. Durante 65 horas e meia, o Eagle deslizou à deriva, por vezes rasando as águas do Árctico. Trinta e três anos mais tarde, caçadores de focas tropeçaram nos cadáveres congelados de Andrée e da sua tripulação, juntamente com as suas máquinas fotográficas e diários. As suas notas revelaram que eles tinham sido obrigados a aterrar numa plataforma de gelo a 480 quilómetros do Pólo Norte. Os três tinham morrido no decurso de uma extenuante caminhada de três meses para sul.

O fracasso nunca é procurado, é sempre temido e impossível de ignorar.

O fracasso nunca é procurado, é sempre temido e impossível de ignorar. Na verdade, paira sobre todas as tentativas de exploração. No entanto, sem o aguilhão do fracasso que nos estimula a reavaliar e a repensar, o progresso seria impossível. Actualmente, existe um crescente reconhecimento da importância do fracasso. Os educadores ponderam formas de deixar as crianças mais à vontade face ao fracasso. As escolas de gestão ensinam as lições que se aprendem com o fracasso. Os psicólogos estudam a forma como lidamos com ele, geralmente com vista a melhorar as probabilidades de sucesso. Com efeito, a própria palavra “sucesso” deriva do latim succedere, “vir a seguir”, sugerindo que ele vem a seguir a um fracasso. Não pode existir um sem o outro. O oceanógrafo Robert Ballard, veterano de 130 expedições submarinas e autor da descoberta do Titanic, chama a esta interacção dinâmica yin-yang de sucesso e fracasso.

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