Os mistérios da ilha descoberta no domingo de Páscoa de 1722

“As estátuas andavam”, dizem os habitantes da ilha da Páscoa. Os arqueólogos tentam descobrir como o faziam e se a sua história é um relato preventivo sobre catástrofes ambientais ou uma exaltação do engenho humano.

Texto Hannah Bloch   Fotografias Randy Olson

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Turistas mergulham nos recifes da ilha da Páscoa junto de um moai falso, construído em 1994 para um filme de Hollywood e, de seguida, afundado ao largo. O recife apresenta-se saudável, embora sujeito a sobrepesca. O atum e o salmão são importados, principalmente para turistas.

Em Junho de 2012, durante uma noite de Inverno, o artista José Antonio Tuki, de 30 anos e morador na ilha da Páscoa, partiu da sua casa de uma só assoalhada, na costa sudoeste, e atravessou a ilha a pé até à praia de Anakena. Segundo reza a lenda, os primitivos colonos polinésios puxaram as suas canoas até à praia de Anakena, há cerca de mil anos, depois de navegarem mais de dois mil quilómetros através do oceano Pacífico, em mar aberto. José Antonio sentou-se na areia e fixou o olhar directamente nas colossais estátuas humanas que avistava à sua frente: os moai. Esculpidas há muitos séculos em tufo vulcânico, incorporavam, segundo a crença local, os espíritos deificados dos antepassados.

Em Anakena, sete moai de ventre protuberante erguem-se, vigilantes, sobre uma plataforma rochosa.

José Antonio é um rapanui, ou seja, um polinésio indígena morador em Rapa Nui, o nome dado pelos habitantes locais à ilha da Páscoa. Os seus antepassados ajudaram provavelmente a esculpir algumas das centenas de estátuas que cravejam colinas verdejantes e costas denteadas da ilha. Em Anakena, sete moai de ventre protuberante erguem-se, vigilantes, sobre uma plataforma rochosa com 16 metros de comprimento, de costas voltadas ao Pacífico, braços ao longo do corpo e cabeças cobertas com altos pukao de escória avermelhada, outra rocha vulcânica. Quando José Antonio os fita no rosto, sente uma ligação. “É algo estranho”, diz. “É gerado pela minha cultura. É rapanui.” Abana a cabeça. “Como fizeram eles isto?”

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O Almirante holandês, Jacob Roggeveen, foi o primeiro europeu a visitar a ilha da Páscoa em 1722 e ao chegar encontrou vestígios de uma estranha sociedade. Desde então muito se escreveu sobre a misteriosa cultura que foi capaz de construir, mover e montar os famosos moai.

A ilha da Páscoa tem apenas 164 quilómetros quadrados. Localiza-se 3.500 quilómetros a oeste da América do Sul e dois mil quilómetros a leste da ilha Pitcairn, a sua vizinha habitada mais próxima. Depois de ser colonizada, manteve-se isolada durante muitos séculos. Toda a energia e recursos afectos aos moai (com 1 a 10 metros de altura e chegando a pesar mais de 80 toneladas) vieram da própria ilha. E contudo, quando os exploradores holandeses ali chegaram, no domingo de Páscoa de 1722, encontraram uma cultura do Paleolítico. Os moai foram esculpidos com ferramentas líticas, na sua maioria numa única pedreira, e foram depois transportados, sem apoio de animais ou de rodas, para cima de plataformas maciças de pedra, ou ahu, por vezes situadas a 18 quilómetros de distância. Como fizeram eles isto? A pergunta tem intrigado hordas de visitantes nos últimos 50 anos.

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