Petra, uma maravilhosa miragem no deserto

 Petra parece uma alucinação, uma miragem no deserto jordano. Encaixada entre escarpados e acessível através de um caminho estreito e sinuoso, deslumbra o visitante com as suas infinitas tonalidades, desde o rosa-pálido ao vermelho-sangue. E, claro, os seus fantásticos edifícios talhados no arenito são a jóia da coroa.

Texto Alec Forssmann   Fotografia  Jeremy Horner / Getty Images

Elementos nabateus e helenísticos combinam-se nos túmulos reais (na imagem, o túmulo da Urna), construídos no escarpado de Al-Khubtha. A sua grande dimensão e a riqueza da decoração das fachadas sugerem tratar-se de sepulturas de reis nabateus.

A arquitectura monumental desta cidade milenar integra-se na perfeição nas escarpas do terreno. As requintadas fachadas de corte helenístico e os capitéis de criação nabateia – com cabeças de elefante como volutas – evocam um passado próspero e uma época em que Petra controlava as rotas de caravanas que atravessavam a península arábica. A capital dos nabateus floresceu com o comércio de especiarias e, segundo o relato de Estrabão na sua “Geografia”, as caravanas de mercadores transitavam “com segurança e facilidade e com tal número de homens que em nada se distinguiam de um exército”. A cidade antiga de Petra, salpicada por túmulos majestosos e templos sagrados, transmite ainda o esplendor do reino nabateu, mas também desperta uma reflexão: como conseguiu esta cultura prosperar num ambiente tão árido e rochoso?

A cidade antiga de Petra, salpicada por túmulos majestosos e templos sagrados, transmite ainda o esplendor do reino nabateu

Petra foi, efectivamente, um oásis no deserto. Floresceu graças à incrível capacidade humana de transformar água em vida, disponibilizando o escasso e valioso elemento num formidável complexo de fontes, tanques, jardins e até numa piscina monumental com um pequeno templo no centro, segundo revelaram as últimas escavações arqueológicas. O seu engenhoso sistema hidráulico, formado por tubos, canais e cisternas, abastecia toda a população e enchia os bebedouros. 

A luz solar ilumina o monumento mais famoso de Petra, Al-Jazneh, ou “o Tesouro”. A sua função tem sido muito debatida, mas pensa-se actualmente que se trata de um túmulo real, talvez construído durante o reinado do rei nabateu Aretas IV (8 a.C.-40 d.C.).

Seminómada nas suas origens e de proveniência desconhecida (crê-se que tenha vindo de algum ponto da península arábica ou do golfo Pérsico), o povo nabateu transitou de uma sociedade nómada, que apenas precisava de pernoitar em tendas de pele de cabra, para outra, bem diferente, sedentária e dependente de habitações escavadas na rocha. Soube tirar partido do comércio caravaneiro porque, como experientes transumantes que eram, os nabateus conheciam o deserto como ninguém e sabiam aproveitar os seus escassos recursos. 
O historiador grego Diodoro Sículo, do século I a.C., explica que os nabateus criavam depósitos subterrâneos impermeáveis que “enchiam com a água da chuva e fechavam as aberturas com esmero, nivelando a superfície para que mais ninguém os descobrisse, deixando sinais que apenas eles reconheciam e que mais ninguém compreendia”.

Petra alcançou o seu apogeu na época helenística e manteve o seu esplendor, embora não a sua independência, após a conquista romana. Naquela que se considera a primeira referência fidedigna à existência dos nabateus, Diodoro descreve a resistência deste povo às incursões do general macedónio Antígono I – que esteve ao serviço de Filipe II e Alexandre – no ano 312 a.C. O último século antes de Cristo e o primeiro da nossa era representam o auge cultural e económico da capital nabateia. Os seus habitantes, com língua e escrita próprias (uma variante do aramaico), cunharam moeda e veneraram os seus próprios deuses, entre os quais Al-Qaum, o deus nabateu da guerra e da noite e guardião das caravanas. A sua arquitectura conseguiu combinar de forma singular as tradições artísticas do Ocidente e do Próximo Oriente 

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