O último sobrevivente do U-581: Querido Dr. John Foley, muito obrigado por salvar a minha vida!

O que fizeram?
Recuámos. O outro submarino que alvejara o Llangiby Castle posicionou-se a sete ou oito milhas a sul do Pico. Encontrámo-nos aí enquanto os dois submarinos navegavam paralelamente. Os dois comandantes discutiram então a estratégia. Combinaram que um ficaria a sul do canal do Pico e o outro a norte. Não sabíamos em que direcção o Llangiby sairia. Entretanto, três contratorpedeiros britânicos [um era canadiano] aproximaram-se vindos de leste. Nós não sabíamos que eles vinham, mas eles sabiam da nossa presença. Começaram de imediato à nossa procura, com varrimentos de radar e detectores acústicos. Descobriram-nos assim. O dispositivo fazia um ruído – tic, tic, tic... Percebemos que tínhamos sido detectados.

Começou então a perseguição.
Os britânicos lançaram cargas de profundidade enquanto estávamos submersos. Quando subimos à superfície, vimos as ilhas, tentámos marcar um rumo, mas os três contratorpedeiros dispararam intensamente contra nós. Usaram os canhões pesados e a artilharia anti-aérea – canhões quádruplos de 4cm. Voltámos então a submergir.

Não tinham sido atingidos?
Pelo contrário: fomos gravemente atingidos. O exaustor de combustível foi destruído. A água começou a entrar no nosso submarino através desta válvula destruída. Entrou muita água. Tentámos reparar os danos, descendo a mais profundidade, mas a pressão era insuportável. Ficámos submersos enquanto pudemos, mas tínhamos de subir à superfície para recarregar as baterias. Subíamos, carregávamos por alguns instantes, voltávamos a submergir. Isto ocorreu durante toda a noite. Ainda estava escuro.
A certa altura, o comandante aproximou-se de mim, eu era o navegador daquela missão. Ele queria saber onde estávamos precisamente. Mostrei-lhe na carta. Aconselhei-o a navegar o mais rapidamente possível para a costa do Pico porque aí teríamos hipóteses de nos escondermos contra qualquer método de detecção – radar ou outro. Eles detectariam a costa, mas não o submarino. Disse-lhe ainda que, se fôssemos atingidos, teríamos mais hipóteses de nadar até terra.

Walter Sittek demosntrou uma capacidade física impressionante: depois do submarino ter afundado, nadou até terra praticamente despido, sendo acolhido pela população do Pico.

Infelizmente, o submarino já não conseguia submergir naquela altura e navegava com dificuldade. O HMS Croome tentou torpedear-nos. Nós já só tínhamos um torpedo. Eles dispararam, um dos nossos tripulantes viu o torpedo e iniciámos uma manobra de fuga. O torpedo terá passado a dez metros do nosso casco. O Croome iniciou fogo contra nós com as suas armas Pom-Pom, causando muitos danos. Voava ferro e aço por todo o lado. O comandante decidiu que deveríamos todos posicionar-nos no convés superior. O engenheiro-chefe certificou-se de que o submarino estava vazio. Já estávamos quase em posição de naufrágio. O comandante Werner Pfeiffer ordenou que abandonássemos o navio e o engenheiro-chefe afundou-o. Saltámos então para o mar.

A quantos metros estariam da costa?
Na minha opinião, e tendo em conta que analisara o mapa pouco antes, estaríamos entre 6 e 4 milhas da costa [o destroço foi encontrado a cerca de 2,1 milhas da costa sul do Pico]. Afundou-se 25 a 30 metros atrás de mim.

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