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Um estudo recente do Instituto de Tecnologia Comportamental distinguiu Angra como o melhor concelho do país para viver. A iniciativa avaliou indicadores como as acessibilidades, o ambiente ou o urbanismo.

 Na última década do século XV, Angra já era uma vila importante e com papel fulcral no desenvolvimento da expansão portuguesa. O cabo Bojador era coisa do passado, e até o cabo das Tormentas tinha sido vencido, abrindo a rota da Índia por mar. À ida ou no regresso, por força dos ventos e das marés, os Açores (e essencialmente Angra) tornaram-se pontos obrigatórios de passagem e paragem. Os cheiros dos incensos e das especiarias depressa inundaram a cidade. O estatuto citadino foi adquirido em 1524, simultaneamente com a atribuição de diocese de todos os Açores e sede de bispado.

Angra tornou-se uma cidade de corpo grande, um pólo mercantil e uma miscelânea de culturas inebriante. Já não era só uma cidade no meio do Atlântico – ganhou asas e tornou-se transatlântica.

Todo o século XVI foi de desenvolvimento e prosperidade. A juntar à rota marítima e às riquezas provenientes de África, da Índia e do Oriente, acrescentou-se o incessante movimento de navios carregados de prata das Américas e de ouro do Brasil. Angra tornou-se uma cidade de corpo grande, um pólo mercantil e uma miscelânea de culturas inebriante. Já não era só uma cidade no meio do Atlântico – ganhou asas e tornou-se transatlântica. Um ponto de ligação entre mundos, uma linha condutora entre o antigo e o moderno.
Com tamanhas características, Angra despertava cobiça, e imediatamente se pensou que havia que dotá-la de um sistema defensivo. Cada vez mais navios com a bandeira dos piratas rondavam aquelas águas. No reinado de Dom Sebastião, em 1570, ergueu-se o primeiro reduto defensivo, num morro da baía e que ganhou o nome do monarca que o mandou erigir – se bem que os angrenses a ele se refiram como castelinho, em vez de Forte de São Sebastião.

Onde hoje se ergue a Igreja da Misericórdia funcionou, no final do século XV, o primeiro hospital de todo o arquipélago.  A estrutura actual foi construída durante duas décadas do século XVIII. Logo acima do pórtico principal, pende um brasão com as Armas Reais.

 Quando adveio a crise de 1580, nem o forte valeu face às investidas da armada de Filipe II de Espanha. Apesar da tenacidade dos sitiados, a despeito de ter sido um dos últimos baluartes de defesa da nacionalidade, debalde os três anos de resistência ao cerco, Angra foi tomada pelos invasores. Uma vez na posse filipina, a cidade viu reforçado o seu sistema defensivo. Sólidas muralhas que ocupam uma área de 3km2 rodearam todo o monte Brasil, uma empreitada imponente, simbólica do poderio filipino, mas que tornou a cidade praticamente inexpugnável.
Com Filipe I de Portugal, Angra cresceu comercialmente, tornando-se um entreposto-chave dos navios que traziam preciosidades do México, Peru e de outros locais do Novo Mundo, e que por aqui faziam escala antes de descarregarem os porões nos portos da Península Ibérica.
A partir da Restauração da Independência, Angra voltou a destacar-se um pouco mais tarde, e um salto no tempo permite avançar até à época das lutas liberais, em que ao nome da cidade foi acrescentado, por sugestão de Almeida Garrett, o apelido de Heroísmo, dado o papel preponderante que desempenhou e por ter sido berço da regência liberal. Pela segunda vez, Angra mereceu a proclamação de capital do reino. 
Foi toda esta cidade, todo este passado histórico, todo este património, toda esta junção de culturas que quase foram reduzidos a pó com o terramoto de 1980.  

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