Há cerca de dois séculos, as esculturas do Pártenon foram desmanteladas e transportadas para Londres. A Grécia continua a reivindicar a sua devolução.

Texto Alec Forssmann

O novo Museu da Acrópole, construído no sopé da “cidade alta”, foi inaugurado em 2009. O seu interior acolhe as obras de arte que até então se conservavam num pequeno museu situado no alto da colina sagrada, incluindo as poucas esculturas do Pártenon que escaparam à cobiça de Elgin. Fotografia Louisa Gouliamaki /Getty Images.

Nenhuma colina no mundo representa tão bem o apogeu e a decadência da civilização humana como a Acrópole de Atenas. Nenhuma outra construção sintetiza com mais força e dramatismo os seus grandes feitos e fracassos como o Pártenon.

E poucas obras de arte se prestam a um debate tão aceso e complexo como os seus magníficos mármores do século V antes de Cristo, que a genialidade de Fídias idealizou para embelezar o grande templo dedicado a Atena, a deusa grega da guerra, da civilização e da sabedoria.

Desde 1817, há precisamente 200 anos, o Museu Britânico expõe uma boa parte das esculturas do Pártenon. “Gratuitamente”, destaca a página de Internet da famosa instituição londrina. Fundado pelo Parlamento britânico em 1753, o museu adquiriu os mármores em 1816 a Thomas Bruce, um nobre e diplomata escocês mais conhecido como Lord Elgin, pelo valor de 35 mil libras esterlinas, preço que incluía também outras peças da Acrópole.

Desde 1817, há precisamente 200 anos, o Museu Britânico expõe uma boa parte das esculturas do Pártenon.

Elgin pedira 73.600 libras pela totalidade da colecção, montante que, longe de lhe proporcionar lucro, cobriria as suas despesas. Porém, pressionado por uma situação financeira e emocional delicada, não teve outro remédio senão aceitar a proposta. Após investigar a qualidade e a legitimidade dos mármores, a comissão parlamentar autorizou a transacção. Poder-se-ia então afirmar que a aquisição dos mármores pelo Museu Britânico foi legítima. Mas teria sido legítimo o seu desmantelamento e extracção do local de origem? Dois séculos mais tarde, as respostas diferem consoante a pessoa que as dá. A deslumbrante bandeira branca e azul da Grécia contemporânea esvoaça hoje no alto da Acrópole ateniense. Vale a pena, no entanto, recordar que os territórios que compõem o actual Estado helénico pertenceram ao império otomano durante quatro séculos, desde meados do século XV até uma fase já avançada do século XIX, quando a Grécia conquistou a independência.

O Pártenon manteve-se conservado durante a Antiguidade e a Idade Média, mas, em 1687, os venezianos atacaram Atenas, que se encontrava sob poder otomano. Uma bala de canhão atingiu o edifício, transformado em paiol pelos turcos, e uma parte do edifício desfez-se em pedaços. Fotografia Milenny /Getty Images.

Elgin zarpara para Istambul em 1799, durante o domínio otomano, para exercer o cargo de embaixador britânico junto do sultão Selim III.

Os seus anseios por promover a cultura grega antiga na Grã-Bretanha – e por obter obras clássicas que pudessem embelezar as suas propriedades – levaram-no a reunir um grupo de artistas proeminentes, sob direcção do pintor italiano Giovanni Battista Lusieri, e a enviá-los para Atenas a fim de obterem desenhos pormenorizados dos monumentos em ruínas e moldes de gesso dos relevos, tirando medidas aos edifícios e aos seus elementos arquitectónicos.

A Galeria Nacional da Escócia, por exemplo, conserva em Edimburgo uma maravilhosa aguarela de Lusieri que mostra uma das esquinas do Pártenon: uma verdadeira ruína, com poucas colunas de pé e inúmeros fragmentos espalhados pelo solo. A fotografia ainda não fazia parte da história, mas os desenhos e aguarelas da época são testemunhos inquestionáveis do estado lamentável em que se encontravam o Pártenon e a Acrópole mais de dois mil anos após a sua construção.

Nos baixos-relevos do friso ocidental do Pártenon ateniense, um cortejo de cavaleiros desfila, tal como magistrados, soldados, músicos, portadores de oferendas e outros cidadãos. Homens e mulheres prestam culto aos seus deuses, em particular a Atena, protectora da cidade. Fotografia Trustees do Museu Britânico/Scala.

Perspectiva do ângulo ou esquina oriental do Pártenon, aguarela sobre papel de Giovanni Battista Lusieri pintada em 1803.

“Ao realizarem esta missão, os artistas sentiram a mortificação que, supostamente, se deve sentir ao testemunhar a enorme e deliberada devastação a que estavam expostas diariamente todas as esculturas e, até mesmo, a arquitectura, na parte ocupada por turcos e na que acolhia os viajantes”, explica um memorando de 1811 apresentado ao comité parlamentar por William Richard Hamilton, secretário pessoal de Lord Elgin. O relatório indica que foi o arquitecto Thomas Harrison, uma autoridade no redescobrimento da arte grega, quem sugeriu ao escocês a necessidade de fazer cópias dos originais gregos para instruir os jovens artistas britânicos.

Após vários anos passados em instalações provisórias, a Sala Elgin do Museu Britânico exibe, desde 1832, os mármores que Lord Elgin conseguiu extrair da Acrópole. A controversa aquisição foi criticada até em Inglaterra. O célebre poeta Lord Byron, entre outros, foi um dos denunciadores do saque. Fotografia Walter Bibikow /Hemis /Gtres.

No Verão de 1800, Elgin enviou a sua equipa de desenhadores e arquitectos para Atenas, enquanto ele e a mulher permaneciam em Constantinopla. Em 1800, o Pártenon “conservava apenas, aproximadamente, metade da sua decoração escultórica”, especifica o Museu Britânico.

Com o passar do tempo, a jóia arquitectónica da Grécia Antiga foi-se adaptando às diferentes funções que a história lhe reservou: igreja durante a expansão do cristianismo na Europa, mesquita durante a conquista otomana. O Erecteu, com as suas magníficas cariátides, serviu de alojamento a um harém, e o próprio Pártenon fora transformado em paiol quando a frota veneziana atacou Atenas em 1687 e um tiro de canhão destruiu parte do edifício. A guarnição turca, por seu lado, destruiu grandes quantidades do precioso mármore do Pentélico, reduzindo-o a pó para fabricar cal.

O saque de peças de arte prolongou-se durante anos. Vários museus europeus conservam peças do Pártenon.

O saque de peças de arte prolongou-se durante anos. Vários museus europeus conservam peças do Pártenon: um deles é o Louvre, que possui um grande fragmento do friso exterior representando seis ergastinas ou tecedeiras, as donzelas da aristocracia ateniense encarregadas de tecer o peplos, ou túnica, oferecida à deusa Atena durante as festividades religiosas das Panateneias. O relevo foi descoberto pelo arqueólogo francês Sébastien Fauvel na base do Pártenon e adquirido pelo então embaixador de França na Turquia, o conde Choiseul-Gouffier em 1784, ou seja, 16 anos antes da chegada da equipa de Elgin.

Outubro de 2007: uma especialista em restauro trabalha num fragmento do friso antes da sua trasladação para o novo Museu da Acrópole, situado 300 metros a sul deste. O novo projecto museográfico sublinha a reivindicação grega do regresso dos originais conservados no Museu Britânico. Fotografia Louisa Gouliamaki /Getty Images.

No frontão oriental, estava representado o nascimento de Atena, irrompendo da cabeça de Zeus completamente armada. Aqui figuram a deusa Dione e a sua filha Afrodite, reclinada. Fotografia Trustees do Museu Britânico/ Scala.

Lusieri e os seus ajudantes trabalharam com algumas limitações desde o primeiro instante, pois as autoridades turcas não concederam livre acesso à Acrópole, transformada em fortaleza otomana, com a sua mesquita e o seu minarete. Os artistas conseguiram fazer o seu trabalho, depois de subornado o disdar, o governador militar, mas boatos sobre um iminente ataque francês conduziram à proibição da entrada de estrangeiros. Perante a insistência de Lusieri, Lord Elgin pediu ao sultão uma autorização especial para retomar os trabalhos, e, como a frota britânica já derrotara entretanto Napoleão no Egipto, não tardou a obtê-la.

Cabeça de um dos cavalos da carruagem de Selene, deusa da Lua, mergulhando no oceano. Fotografia Trustees do Museu Britânico/Scala.

Toda a polémica em torno dos mármores de Elgin tem como ponto de partida esse documento de Julho de 1801, um firmão (ou decreto do soberano do império otomano). Nada se sabe sobre o texto original, em turco, restando apenas uma tradução italiana de origem duvidosa, adquirida pelo Museu Britânico em 2006. A autorização, assinada pelo caimacão, dizia aos vigilantes que “não levantassem obstáculos se quisessem levar alguns pedaços de pedra com inscrições e figuras”.

Entre 1801 e 1805, os agentes de Elgin retiraram cerca de metade das esculturas ainda existentes no Pártenon, tanto do edifício como das ruínas adjacentes, além de fragmentos dos Propileus e do Erecteu. O transporte dos mármores para o Reino Unido passou por uma série de peripécias, entre elas o naufrágio de um dos navios de Elgin em Setembro de 1802 durante uma tempestade na ilha grega de Citeros. O carregamento de mármores foi recuperado três anos mais tarde, mas muitas aguarelas de Lusieri perderam-se para sempre noutro naufrágio, em 1828.

As métopas do Pártenon, de forma rectangular e esculpidas em alto-relevo, narravam episódios mitológicos que destacavam o heroísmo do povo heleno, bem como a Gigantomaquia, Amazonomaquia, Centauromaquia ou a Guerra de Tróia. Os gregos viam nestas representações o triunfo da civilização sobre a barbárie (em cima, luta entre centauros e lápitas). Em baixo, Dioniso (ou Héracles) repousa sobre a pele de um animal com o rosto virado para a carruagem de Hélio, deus do Sol, que se levanta ao amanhecer na esquina esquerda do frontão oriental. Fotografia Trustees do Museu Britânico/Scala.

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Um grupo de mulheres carrega recipientes de água durante a procissão das Panateneias, a grande festividade que se celebrava em homenagem a Atena. A cena, igualmente parte do friso do Pártenon, é um dos fragmentos conservados em Atenas. Fotografia Trustees do Museu Britânico/Scala.

Com apenas 150 metros de altura, a Acrópole é visível de quase todos os cantos de Atenas. Apesar dos repetidos ataques, crises, pilhagens, incêndios, sismos e trovoadas, a colina sagrada continua a exibir as suas imponentes estruturas arquitectónicas, símbolos da cultura clássica da Grécia e, por extensão, da civilização ocidental. As obras de Péricles foram “erguidas em tão pouco tempo para durarem tanto”, escreveu o autor grego Plutarco entre finais do século I e inícios do século II d.C (Plu. Per. 13.4). No alto da Acrópole, desfeitos pelos maus-tratos, os restos do Pártenon continuam a evocar os feitos extraordinários da inimitável cultura grega.

Muitas esculturas gregas ou romanas conservadas nos museus não nos permitem contemplar o original tal como foi concebido pelo artista. Na sua maioria, perderam a policromia ou encontram-se mutiladas, havendo fragmentos seus guardados em diferentes lugares. Felizmente, alguns desenhos feitos no passado e algumas descrições antigas de quem as viu como eram realmente são uma grande ajuda para que possamos imaginá-las. Com as técnicas actualmente disponíveis, é possível recriar os originais de forma verosímil, integrando todos esses dados e elementos, com resultados espantosos. No slideshow abaixo, fotografia Phas /Getty Images; desenhos Román García Mora.

Na guerra, há quase sempre vencedores e vencidos. No mundo antigo, os deuses influenciavam as vitórias e, quando havia uma, erguiam-se monumentos em sua honra por todo o território. No ano 480 a.C., os persas destruíram o Pártenon original, embora a sua construção não estivesse concluída. Após as derrotas do exército persa nas Guerras Médicas e a hegemonia de Atenas na Liga de Delos (a coligação de forças gregas que contribuiu para evitar a ocupação persa), ergueu-se um novo templo sobre as ruínas do anterior, dedicado a Atena, a deusa protectora da cidade. O Estado ateniense aproveitou os recursos económicos da Liga de Delos e erigiu uma construção sem precedentes em matéria de grandiosidade e perfeição. À derrota e à humilhação, sucediam o triunfo e o orgulho.

Durante os seus dois mandatos como ministra da Cultura da Grécia (1981-1989 e 1993-1994), a actriz Melina Mercouri reivindicou perante as instituições culturais britânicas e europeias a restituição das esculturas ao seu país de origem. Fotografia Ilias Anagnostopoulos.

Um ícone para a eternidade

Paradigma do esplendor que Atenas conheceu no século V a.C. sob a liderança de Péricles e após a vitória sobre os persas, o Pártenon foi construído em menos de dez anos, em mármore branco vindo do monte Pentélico, em homenagem à deusa Atena, protectora da cidade. Harmonioso e majestoso, rodeado de colunas e com dois pórticos de entrada, é o cume do modelo de templo dórico. O programa iconográfico, indissociável da sua arquitectura, ficou a cargo do escultor Fídias, que embelezou o monumento com os magníficos grupos escultóricos dos dois frontões, das 92 métopas e do friso contínuo que cobre as paredes exteriores da cela.

1 - A estilóbata, o último patamar onde assenta a colunata exterior ou peristilo, apresenta uma ligeira curvatura.2 - Cada coluna dórica, com um diâmetro máximo de 1,9 metros e cerca de 10,4 metros de altura, é formada por 11 tambores.3 - O friso do entablamento é formado por uma sucessão alternada de tríglifos (blocos de mármore decorados com caneluras) e métopas, esculpidas em alto-relevo.4 - Nas métopas do lado sul, as mais bem conservadas, está representada a Centauromaquia, um episódio mitológico em que os lápitas enfrentaram os centauros.5 - O acrotério central, reconstruído graças a fragmentos recuperados, é uma estrutura floral aberta muito graciosa que termina numa palmeta. 6 - O frontão oriental mostra o mito do nascimento de Atena da cabeça de Zeus, adulta e armada, perante os deuses.7 - As métopas do lado oriental mostram a Gigantomaquia, a luta entre os deuses do Olimpo e os gigantes que os expulsaram e substituíram.

O majestoso templo consagrado a Atena foi construído entre 447 e 438 a.C., embora a sua decoração se prolongasse por mais seis anos, acabando por fechar com chave de ouro o apogeu político e cultural de Atenas, sob liderança de Péricles. O extraordinário orador e político consolidou a democracia ateniense, redistribuiu as riquezas e levou a efeito um projecto ambicioso que desenvolveu a cultura e embelezou a cidade. Fídias, amigo de Péricles, organizou a reconstrução da Acrópole. “Enquanto estas obras estiverem em curso, vão causar um bem-estar efectivo: vai haver todo o tipo de trabalhos e inúmeras necessidades que requerem todo o tipo de ofícios, empregarão todas as mãos e darão sustento a quase toda a cidade. Deste modo, a cidade não só ficará mais bela, como se alimentará a si própria”, afirmou Péricles nas “Vidas Paralelas” de Plutarco (Plu. Per. 12.4).

O Pártenon, edifício principal da Acrópole, é um templo períptero (rodeado por colunas) de planta rectangular, com 17 colunas de largura e oito de profundidade: 46 no total. O estilo dórico em que foi construído representa a essência da Grécia clássica: proporção, harmonia, sobriedade, beleza e racionalidade. Os arquitectos da época eram de tal forma geniais que curvaram ligeiramente as imponentes colunas de mármore de maneira a criar, através de ilusão óptica, um templo perfeito, de formas rectilíneas e regulares. Ictino e Calícrates foram os arquitectos do Pártenon e o grande Fídias participou directamente na decoração escultórica do edifício, apesar de não ser possível demonstrar em que medida. Foi de sua autoria a colossal estátua criselefantina (de ouro e marfim) de Atena Pártenos que se encontrava numa das duas salas do Pártenon, em pé e vestida com o seu traje guerreiro.

As jóias artísticas da Grécia Antiga ficaram sob a custódia do Museu Britânico, e o seu processo de degradação, já muito avançado, foi travado pela primeira vez

Em 1816, a câmara dos comuns do Parlamento britânico abriu um intenso debate sobre a conveniência de adquirir os mármores de Elgin: o resultado foi de 82 votos a favor e 30 contra. As jóias artísticas da Grécia Antiga ficaram sob a custódia do Museu Britânico, e o seu processo de degradação, já muito avançado, foi travado pela primeira vez. Apesar de alguns restauros pouco felizes (entre 1936 e 1938, uma limpeza agressiva branqueou exageradamente as obras, alterando a sua superfície e eliminou os restos da policromia original), foi garantida a sua sobrevivência até aos nossos dias. O que teria sido delas no meio de tanta ruína e desolação?

A Grécia despertou de um sono profundo ao proclamar a sua independência em 1821. O esforço de ocidentalização desenvolvido pelo governo implicava a recuperação do seu passado glorioso e a afirmação de valores europeus em oposição à herança otomana, vinculados àquela Atenas de Péricles que foi um dos centros culturais e intelectuais do mundo.

“São um símbolo do povo grego, do sangue e da alma gregos”, disse Melina Mercouri com veemência e paixão. “Lutámos e morremos pelo Pártenon e pela Acrópole. Quando nascemos, contaram-nos a grande história por trás de ser grego.”

Na década de 1940, reacendeu-se o debate sobre a devolução dos mármores de Elgin, uma questão recorrente nas décadas seguintes e ainda hoje activo. A actriz e cantora Melina Mercouri, então ministra grega da Cultura, lutou obstinadamente pela repatriação das peças, mas as suas reivindicações foram rejeitadas oficialmente pelo Museu Britânico. “São um símbolo do povo grego, do sangue e da alma gregos”, disse Melina Mercouri com veemência e paixão. “Lutámos e morremos pelo Pártenon e pela Acrópole. Quando nascemos, contaram-nos a grande história por trás de ser grego.”

Mais recentemente, Marianna V. Vardinoyannis, embaixadora da boa vontade da UNESCO, impulsionou a campanha “Return, Restore, Restart”: recuperar os mármores, restaurar o Pártenon e reiniciar a história. E as suas palavras são claras: “Isto não diz respeito apenas à Grécia. Diz respeito à humanidade.”

No ano passado, por ocasião do bicentenário do saque do Pártenon, foram muitas as vozes, de um e de outro lado da Europa, que voltaram a evocar o espinhoso tema da sua devolução, uma questão que abre uma caixa de Pandora repleta de obras de arte que, por várias razões, se encontram longe do local onde foram criadas.

Um porta-voz do Museu Britânico (o seu director, Hartwig Fischer, não dá entrevistas sobre este assunto actualmente) explica que “o museu conta a história dos feitos culturais de todo o mundo, desde a alvorada da humanidade, há mais de dois milhões de anos, até ao presente, e as esculturas do Pártenon são uma parte importante dessa história. O Museu da Acrópole permite apreciar as esculturas do Pártenon que se encontram em Atenas, aproximadamente metade do que resta da Antiguidade […].

“As esculturas expostas em Londres, que representam 30% do projecto original, são uma amostra importante da cultura ateniense antiga no contexto da história mundial. Todos os anos são admiradas gratuitamente por milhões de pessoas e cremos que os museus que mostram ao mundo toda a história da humanidade são um grande benefício público.”

1 - Hélio (o Sol) surge no horizonte com a sua quadriga. Conservaram-se partes do corpo do deus, uma parte das cabeças de cavalo e restos de outra.2 - Dioniso (ou Héracles) descansa sobre uma pele de animal, junto de Cora e Deméter, supostamente sentadas sobre as cistas (cestas ou arcas) dos mistérios de Elêusis. 3 - A deusa que corre pode ser Artemisa. Seguem-na Ares, uma figura feminina, e o pequeno Eros. 4 - Hera sentada, com Íris (mensageira dos deuses) ao fundo. 5 - Zeus e Atena, com Nice (Vitória) ao fundo. 6 - Hefesto (com o seu machado), Posídon (com o seu tridente) e Apolo (com a sua lira). 7 - Hermes, precedido por uma figura feminina de identificação incerta. 8 - Héstiaentronizada como deusa do fogo doméstico) e Afrodite, que descansa ao colo de sua mãe, Dione. 9 - Selene (a Lua) desaparece atrás do horizonte ao fim da noite. Conservaram-se o tronco e a cabeça de um dos cavalos da sua quadriga.

Dimitrios Pandermalis, presidente do magnífico Museu da Acrópole, inaugurado em 2009, descreve a importância das peças com as seguintes palavas: “As esculturas do Pártenon representam a plenitude da arte antiga, tanto nos seus pormenores como de uma forma geral, e constituem a primeira auto-representação da democracia no mundo.” Dimitrios Pandermalis, nascido em 1940, destaca que “o Museu Britânico possui aproximadamente metade das esculturas do Pártenon, o que representa 96% das peças que Atenas perdeu”. Por isso, considera que “a maneira como as esculturas foram retiradas do templo não foi discreta nem cuidadosa, como puderam testemunhar os britânicos que a presenciaram”.

O novo museu “foi desenhado com uma sala especial com mais de 3.200 metros quadrados, a Galeria do Pártenon".

Dimitrios Pandermalis acrescenta que o novo museu “foi desenhado com uma sala especial com mais de 3.200 metros quadrados, a Galeria do Pártenon, com capacidade suficiente para receber as esculturas que faltam e expor o conjunto completo, exactamente da mesma forma e com a mesma disposição com que se encontrava no templo original. A luz natural realça as esculturas de mármore e a estrutura envidraçada do museu permite observá-las diante do Pártenon, no alto da Acrópole”.

A resplandecente luz da Grécia inunda as salas do novo museu ateniense, localizado no sopé da colina sagrada, onde homens e deuses viveram em paz. Só ali, e em nenhum outro lugar do mundo, é possível compreender o Pártenon em toda a sua dimensão, com a sua arquitectura e as suas esculturas concebidas como um todo, integrando numa única unidade o êxito de toda uma cidade riquíssima após a vitória sobre os persas.

Estes não são tempos fáceis nem para Atenas, nem para a Europa nem para o mundo. Mas os gregos souberam resistir aos diversos ataques da sua história. E também sabem esperar...  

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