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Um posto de investigação na Tanzânia mantém as promessas do passado e de um sonho que nunca chegou a concretizar-se.

Texto Jeremy Berlin   Fotografia Evgenia Arbugaeva 

John Mganga, de 67 anos, é um antigo assistente do Posto de Investigação de Amani Hill, na Tanzânia. Entre 1970 e 1977, trabalhou com o entomólogo britânico John Raybould, capturando espécimes com redes para insectos.

No topo de uma colina no Nordeste da Tanzânia, bem no alto das montanhas de Usambara, as memórias são tangíveis. Edifícios modernistas maculam a selva. Árvores europeias e plantas medicinais convivem com espécies locais. Instrumentos científicos e uma biblioteca equipada estão igualmente prontos a usar.

Isto é o que resta do Posto de Investigação de Amani Hill, uma visão suspensa no tempo. Foi também aquilo que trouxe a fotógrafa siberiana Evgenia Arbugaeva a África há dois anos. O seu objectivo? Documentar a nostalgia que paira no local e criar imagens que “trouxessem de volta o ambiente deste sítio sombrio e mágico”.

O passado e o presente estão interligados em Amani. Uma placa informativa ainda enfeita uma parede. 

Evgenia trabalhou com o antropólogo Wenzel Geissler, da Universidade de Oslo. Há muito que ele e a sua equipa – um consórcio internacional composto por cientistas, historiadores e artistas – estudam antigos postos de investigação localizados nos trópicos. O seu projecto examina as memórias, percepções e expectativas daqueles que viveram e trabalharam nestas estações científicas pós-coloniais.

Um ratinho branco guardado sob uma campânula de vidro num dos laboratórios do posto pertence a uma colónia criada há muitos anos. Um funcionário ainda cria os roedores caso sejam necessários para investigações futuras.

Amani não é uma ruína. Uma equipa de 34 pessoas, entre vigilantes e empregados de manutenção de idade mais avançada, um bibliotecário e alguns técnicos de laboratório, ainda ali vivem, nas carcaças das casas, sem água nem electricidade. Há quem diga que esperam pela reabilitação do posto.

“Amani representa os sonhos de ciência e progresso transmitidos às populações coloniais”, diz Wenzel. “Quando os fundos acabaram no início da década de 1980, o mesmo ocorreu aos sonhos. Hipoteticamente, porém, tudo está pronto a ser reactivado. 

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