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A LUZ DE QUELUZ - O Palácio de Queluz foi idealizado como palácio de Verão. Além da exuberância interior, o exterior vale também pelo jardim de influência francesa. Fotografia PSML/Wilson Pereira.

Umbilicalmente ligado ao Palácio Nacional da Pena, está o Chalet da Condessa d’Edla, que tem igualmente um pano de fundo romântico, como não podia deixar de ser. Após a morte de Dona Maria II, Dom Fernando viria a desposar Elise Hensler, cantora e actriz que participara na tournée da Companhia de Ópera de Laneuville. Dom Fernando assistiu ao espectáculo de Lisboa, conheceu-a… e apaixonou-se. Apesar da mordacidade da corte portuguesa, o casal dedicou-se afincadamente à construção de um chalet ao jeito alpino, mas com a homenagem sincera ao património e gosto português, bem expressa no recurso abundante à cortiça. O chalet foi utilizado para recepções, jantares ou curtas permanências, bem como residência da condessa depois da morte do rei. 

O visitante do Parque da Pena contempla uma cópia fiel do chalet original, após um aturado trabalho de restauro na sequência do incêndio de 1999, cujas chamas quase o devoraram integralmente. Restou--lhe a alma, a memória e um conjunto de fotografias que foram preciosos auxiliares para a sua reconstrução. A PSML iniciou recentemente a segunda fase do projecto, dotando aos poucos o chalet do mobiliário original do século XIX, adquirido aos descendentes da condessa ou recuperado das reservas do Palácio.

O tecto desta sala do Palácio Nacional de Sintra, com quase 140 metros de comprimento, ostenta as armas de Dom Manuel I, dos filhos e de 72 das mais importantes famílias da nobreza portuguesa – um dos mais importantes “documentos heráldicos” do país. Fotografia Alexandre Vaz.

Afastado destes dois pólos de atracção e embrenhado na vertente sudoeste da serra de Sintra, o  Convento dos Capuchos é um caso singular entre os monumentos da região. Foi fundado por Dom Álvaro de Castro, conselheiro de Dom Sebastião, cumprindo uma promessa do pai. Como o nome indica, o espaço era ocupado por frades franciscanos – oito no total –,  neste convento-irmão do da Arrábida. 

E se neste último a perspectiva é estonteante sobre o mar e pela serra que cai quase a pique, o seu congénere de Sintra tem uma perspectiva privilegiada do mar que irrompe entre o emaranhado de vegetação e os blocos graníticos que o compõem. 

A Ordem dos Franciscanos fizera votos pela pobreza e pela humildade, com o desejo de regresso aos primórdios do cristianismo. Em Sintra, essa vocação foi levada à letra. O despojamento expressa-se a cada passo e degrau. A cozinha, a igreja, o coro alto e as celas são “rudes” e de uma crueza granítica, mas, ao mesmo tempo, de uma singeleza cativante. Um espaço concentra  as atenções: o refeitório, onde apenas sete membros tomavam as refeições, pois o oitavo passava pelo período de jejum. Neste abrigo entalado na rocha mas em pleno contacto com a natureza bravia da serra, a vida dos frades decorria em intenso recolhimento.

PELAS VEREDAS DA SERRA - Uma das opções mais populares para o percurso entre o Vale dos Lagos e o chalet da Condessa d’Edla é a charrete. Os passeios podem ser acompanhados por um guia especializado. Fotografia Alexandre Vaz.

Não há maior contraste nesta paisagem cultural do que a transição do despojamento do Convento dos Capuchos para a opulência do Palácio e Jardins de Monserrate. Na quinta original, o rico comerciante inglês Gerard de Visme construiu uma mansão que, anos mais tarde, foi adquirida por Francis Cook, um milionário fascinado pelo exotismo da cultura e arte do Oriente, que a transformou radicalmente. 

A cúpula do átrio central domina toda a estrutura. A galeria, a sala da música, a sala de jantar e a sala indiana, restaurados nos últimos anos pela PSML, são agora um portal do tempo para a vida privada de um importante comerciante do século XIX. O parque envolvente resulta da adaptação de uma velha propriedade rural, de forma a criar condições para que nela convivam algumas das mais exóticas espécies vegetais que fazem parte de uma rica colecção botânica.

Por dentro e por fora, Monserrate remete para o imaginário de um palácio das mil e uma noites. 

Por dentro e por fora, Monserrate remete para o imaginário de um palácio das mil e uma noites. No Verão, os jardins são anfiteatros improvisados de espectáculos musicais. Fechando os olhos, o visitante é transportado para a vida sintrense oitocentista.

Regressando ao Percurso Pedestre da Vila Sassetti, é possível igualmente aceder ao Castelo dos Mouros. O pano de muralhas adapta-se aos ziguezagues do terreno, trepando pelos blocos rochosos e pelas planuras criadas pelos habitantes.
Os silos, os reservatórios, a torre de menagem e as ameias sugerem uma fortaleza imponente, mas, na verdade, o castelo nunca foi palco de batalhas: à data da conquista de Lisboa, foi simplesmente abandonado. Hoje, restam poucas estruturas originais e o monumento que ali se ergue é um reinterpretação romântica que confere recorte cénico à serra.   

Palácio Nacional destaca-se na paisagem, com as inconfundíveis chaminés que são o ex-líbris da localidade.

 No regresso à vila, novamente a pé ou num dos tuk-tuk sintrenses, o Palácio Nacional destaca-se na paisagem, com as inconfundíveis chaminés que são o ex-líbris da localidade. O palácio tem uma longa história, recuando até à ocupação árabe. Viveu uma fase pujante de construção nos séculos XV e XVI e acolheu, com frequência, a corte, mas nunca foi local de residência fixa. Isso nunca impediu a sua decoração luxuosa. O visitante não fica indiferente à Sala dos Cisnes, à Sala dos Brasões e à Capela, que evidenciam a fusão dos estilos muçulmano e cristão. 

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