A enigmática escrita do Sudoeste começa a ser decifrada.

O que terá sido gravado neste fragmento de cerâmica? “O mais provável seria o nome do proprietário”, propõe o arqueólogo Amílcar Guerra. Mas seria igualmente possível que a inscrição registasse uma oferenda divina ou o tipo de líquido guardado no recipiente.

A escrita do Sudoeste é um dos mais antigos sistemas de signos conhecidos na Península Ibérica. Estão documentados artefac
tos com signos desta escrita desde o século VII a.C. até ao século V a.C.

Texto de Gonçalo Pereira    Fotografia de António Cunha

Uma escavação no castelo de Moura, coordenada pelo arqueólogo José Gonçalo Valente, alterou o que se conhecia. Este fragmento de cerâmica pintada, localizado no sítio onde se instalará o posto de recepção ao turista no castelo, parece provir de um período mais tardio, prolongando para a primeira metade do século IV a.C. o limite tradicionalmente fixado para esta escrita.
Apesar de se conhecerem praticamente todos os signos da escrita do Sudoeste, o seu significado continua por descodificar. Nesta peça, estão confirmados cinco signos, de acordo com Amílcar Guerra, perito em epigrafia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Embora falte 
a tradicional redundância (a vogal repetida a seguir ao símbolo silábico), 
há outros exemplos conhecidos que também desrespeitam a regra. 
Para o arqueólogo, existe a esperança de se descobrirem muitos mais indícios tardios de uso das antigas escritas hispânicas no Ocidente peninsular, preenchendo melhor o arco temporal da sua utilização até 
à presença romana, altura em que o latim se impôs.

 

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