Crocodilos ibéricos

Ilustração Anyforms   Fontes: “A New Cenomanian Vertebrate Tracksite at Tamajón (…)”, Cretaceous Research (2016), Manuel Segura, Fernando Barroso-Barcenilla, Mélani Berrocal-Casero, Diego Castanera, José F. García-Hidalgo e Vanda F. Santos

Em Tamajón, na província de Guadalajara (Espanha), um grupo de cientistas liderado por Manuel Segura (Universidade de Alcalá de Henares) descobriu um autêntico engarrafamento do Cretácico Superior. Sobre a margem e fundo de um antigo canal arenoso, foram identificadas numerosas pegadas de pelo menos duas formas primitivas de crocodilos, uma pegada de um pequeno dinossauro bípede carnívoro (insuficiente para deduzir mais do que a mera sugestão à direita) e vários rastos evidenciando mudanças súbitas de direcção (até 90º), que parecem ter sido provocados por barbatanas de peixes.

No topo: pormenor da jazida, com as pegadas de antigos crocodilos. Em cima: reconstituição do antigo rio, com o respectivo canal e a evolução do nível das camadas de sedimentos. Fotografias de Fernando Barroso-Barcenilla e José F. García-Hidalgo, Universidade de Alcalá.

“Os rastos de crocodilomorfos do Cretácico Superior são muito raros”, comenta Fernando Barroso-Barcenilla, outro dos autores do estudo. Em Tamajón, esses rastos foram produzidos na fase natatória e em locomoção sobre solo firme, uma raridade mundial. O estudo das pegadas destes répteis, dos sulcos de barbatanas de peixes e da laje onde se encontram fornece evidências únicas sobre a fauna e o ambiente naquela zona da Península Ibérica há cerca de 95 milhões de anos, sugerindo elevada densidade populacional nesta zona. A descoberta, que incluiu a paleontóloga portuguesa Vanda Santos, foi publicada na revista “Cretaceous Research”.

 

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