Diário do explorador: Um assunto de família

Durante milhares de anos, a antiga Urkesh foi considerada uma cidade perdida. Hoje, os arqueólogos que encontraram os seus vestígios antigos na moderna Síria trabalham freneticamente para impedir que ela volte a desaparecer.

Texto  Sharon Jacobs   Fotografias  Kanneth Garrett

Urkesh floresceu no IV e III milénios antes de Cristo como capital e centro religioso da pouco conhecida civilização hurrian. No século XX, a sua memória já desaparecera e a localidade curda contemporânea de Tell Mozan sobrepunha-se-lhe. Giorgio e  Marilyn Buccellati começaram a trabalhar no local, no Nordeste da Síria, em 1984. Dez anos depois, descobriram que Tell Mozan era na verdade a antiga Urkesh. Regressaram regularmente ao local, com o filho Federico, até Dezembro de 2011, uma viagem final para proteger o local da guerra civil síria. Actualmente, o sítio arqueológico está encurralado entre ar-Raqqa, a autodeclarada capital do Estado Islâmico e Mossul, cidade onde alguns vídeos testemunharam a destruição de antiguidades e peças de arte.

Mesmo à distância, a família Buccellati continuou a desenvolver esforços de preservação do local. Paredes que em tempos pertenceram a edifícios de Urkesh foram cobertas com geotêxtil e os arqueólogos contrataram dois guardas (um curdo e um árabe) para vigiar o local. Quatro aldeãos continuam a trabalhar sob supervisão dos Buccellati, preservando a argamassa entre pedras, consertando as protecções do geotêxtil e enviando aos arqueólogos imagens das áreas problemáticas que requerem atenção técnica. “De certa forma, tornou-se um modelo de como nos prepararmos para o impensável com recursos simples e boa vontade”, diz Giorgio.

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