simulação

Um quotidiano que nunca imagináramos: cais fluviais sem movimento, estações ferroviárias sem comboios e estradas sem automóveis. O impacte dos transportes na qualidade do ar nas cidades é decisivo. 

Durante o estado de emergência imposto pela pandemia, teve lugar uma simulação forçada do que seriam as nossas cidades se (quase) não existissem transportes. Com a retirada da equação das principais fontes que afectam a qualidade do ar, tivemos um vislumbre de um futuro alternativo.

Há mais de duas décadas que se procede à monitorização da qualidade do ar em dezenas de estações dispersas por vários centros urbanos de Portugal. Nas cidades, são as emissões produzidas pelos meios de transporte com motores a combustão que têm um peso substancial na qualidade do ar. A conjugar com as emissões de poluentes libertados para o ar estão algumas condições meteorológicas que afectam a dispersão dos poluentes e condicionam a qualidade do ar.

O estado de emergência declarado no dia 18 de Março e prolongado até 2 de Maio permitiu aferir o comportamento de vários poluentes numa situação de quase ausência de tráfego. Os resultados são surpreendentes. A pedido da edição portuguesa da National Geographic, a Agência Portuguesa do Ambiente avaliou as concentrações médias horárias de dióxido de azoto (NO2) e de partículas com diâmetro inferior a 1O µm (PM1O). Os 46 dias do Estado de Emergência foram comparados com os 46 anteriores e a percentagem de redução das concentrações de NO2 – um dos poluentes indicativos das emissões de tráfego – foi sempre superior a 25%, atingindo 54% em Coimbra e com uma quebra de 61% na região de Aveiro/Ílhavo, na Área Metropolitana de Lisboa Norte e na Aglomeração Sul (no mapa).

mapa

A evolução das concentrações de NO2 na área metropolitana de Lisboa Norte durante o Estado de Emergência por comparação com igual período antecedente permite observar uma diferença expressiva na gama de níveis medidos claramente associada à diminuição dos transportes a circular na região. No caso das partículas, a redução de concentrações também foi notória, embora este poluente também tenha origens naturais como o transporte de poeiras das regiões áridas dos desertos do Norte de África, e que ocorreram durante este período. Mesmo assim, a redução das concentrações médias horárias de partículas é evidente e, tomando como referência o fim-de-semana da Páscoa, as partículas caíram abruptamente mesmo quando comparadas com o restante período do Estado de Emergência.

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Tomando como referência o período homólogo do ano passado (em baixo), a análise de uma das estações com maior historial de excedências aos valores limite de NO2– a da Avenida da Liberdade em Lisboa – registou uma significativa quebra de 41% nos níveis medidos. Respirou-se melhor em Lisboa e tiraram-se lições neste período em que o país quase parou, informação valiosa para integrar futuramente no planeamento urbano e no desenho de novas políticas, dotando os decisores de informação rigorosa sobre o que sucederia numa cidade com considerável redução de circulação de meios de transporte movidos a combustíveis fósseis.

concentração

redução

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