azulejo

Imagine um gigantesco quebra-cabeças, do qual não conhece o desenho final, nem o número de peças necessárias para o completar.

Esse é o dilema das duas dezenas e meia de voluntários do Museu Nacional do Azulejo que integram o projecto Devolver ao Olhar. Há largos anos que o museu é o repositório de milhares de azulejos, removidos de todo o tipo de painéis espalhados pelo país. Aos poucos, perdeu-se a ordem e o museu acumula hoje três mil caixotes à espera de organização. Para a directora, Maria Antónia Pinto de Matos, foi a “oportunidade ideal para mostrar os méritos dos programas de voluntariado nos museus”.

Desempregados, reformados ou meramente pessoas com tempo disponível e vontade de participar aderiram ao projecto, apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. O Museu dá apoio técnico e formação aos voluntários, coordenando todas as operações. Depois, resta confiar na capacidade de pessoas como António Borges, um voluntário que vem todos os dias ao Museu trabalhar “nos meus puzzles”. O fim da sua empresa deixou-o com tempo livre e vontade de se envolver em novos projectos. Em Fevereiro, aceitou o repto do projecto Devolver ao Olhar e já completou entretanto um painel do terceiro quartel do século XVIII. Tem ainda mais dois quase definidos. “Tornou-se um vício”, diz, com alegria, apesar do calor que se faz sentir no claustro do Convento da Madre de Deus, em Lisboa.

 

No último piso do Museu, alguns voluntários dão corpo à segunda fase do projecto, o contributo para o restauro e consolidação dos azulejos. Esmeralda Serra trabalhou 37 anos numa repartição de contabilidade. Sempre gostou de pintar e desenhar. Agora, encontrou aqui a tela perfeita: recompõe, por dedução, os desenhos em falta nos fragmentos partidos. E, aos poucos, vários painéis até agora desconhecidos… foram devolvidos ao olhar.

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