Quando a peste varreu Inglaterra na década de 1660, matou cerca de cem mil londrinos. Para sinalizar os pontos atingidos pela doença, eram colocadas “cruzes da peste” nas portas das residências das vítimas juntamente com a frase “Que o Senhor tenha piedade de nós.”

Os avisos sobre saúde pública evoluíram desde então. Numa exposição recente, as designers Lucienne Roberts e Rebecca Wright debatem o modo como são comunicadas mensagens de saúde pública. No século XIX, o enfoque residia nos comportamentos e na informação sobre saúde e doenças. A tuberculose inspirou a primeira grande campanha de educação dos Estados Unidos, com um cartaz desencorajando “cuspir, tossir, espirrar”. O número de mortes reduziu-se de forma constante entre 1900 e 1940.

As duas guerras mundiais desencadearam campanhas de combate a doenças sexualmente transmissíveis. Na Grande Guerra, os cartazes alertavam os soldados contra a promiscuidade, mas evitavam o uso de palavras como “sífilis” e “gonorreia”. Na Segunda Guerra Mundial, a linguagem era mais explícita: “Não vencerás o Eixo se contraíres VD [doenças venéreas]”, alertava um cartaz. A partir da década de 1980, os cartazes corrigiram informações erradas sobre VIH/Sida e recomendavam o uso do preservativo.

Lucienne Roberts acredita que a ligação entre o design e a saúde pública vai mais longe do que as campanhas publicitárias. Alguns hospitais do Reino Unido renovaram os sinais das salas de urgência, de forma a informar melhor os utentes sobre os tempos de espera e triagem. Isto ajudou a reduzir em cerca de 50% as “explosões” de impaciência registadas nestes espaços.

A influência do design gráfico na saúde pública pode ser duradoura. Em tempos, uma cruz vermelha servia de aviso para surtos de peste. Actualmente, o símbolo tem uma carga simbólica diferente e é um dos ícones mais reconhecíveis do mundo.

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