O Holocausto em Lisboa

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Fotografias: Museu da Farmácia 

Os horrores da Segunda Guerra Mundial fizeram-se sentir com menor intensidade em Portugal e a maior parte da população portuguesa foi poupada às atrocidades da guerra e da Solução Final, o diabólico plano nazi para exterminar judeus, ciganos e outros povos europeus .

No entanto, desde o final de 2017, há fragmentos da guerra e do terror dos campos de concentração que chegaram a solo português. Graças ao Museu da Farmácia, com pólos em Lisboa e no Porto, foi possível adquirir vários documentos de guerra, utilizados pela acusação nos Julgamentos de Nuremberga, para julgar não apenas os oficiais envolvidos na chacina, como também os médicos, cientistas e industriais que, por decisão ideológica ou impossibilidade de recusa, pactuaram com os horrores nazis.

Existiram três tipos de processo em Nuremberga: o político-militar, o médico e um processo especial para julgar o complexo industrial que usou o confronto para desenvolver experiências e prosperar comercialmente. No Museu, estão agora disponíveis os processos do químico Fritz ter Meer, do médico Karl Brandt e do industrial Hermann Schmitz. “Tiveram sanções diferentes no Tribunal Médico de Nuremberga”, diz João Neto, o director do Museu. “Brandt fora o médico de Hitler e foi condenado à morte por enforcamento. Ter Meer, químico, recebeu uma sentença de sete anos de prisão e foi libertado ao fim de três. Schmitz foi punido com três anos de cadeia pelo seu envolvimento na concepção do zyklon B, a solução química utilizada nas mortes por gaseamento.”

Os documentos agora adquiridos são uma peça importante de uma história mais ampla sobre o modo como o regime nazi se ergueu. Juntam-se a outro espólio que o Museu já detinha: a caixa de enfermagem do próprio Adolf Hitler.

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