Os urinóis públicos podem, finalmente, ajudar a acabar com a ameaça secular originada pela micção na via pública.

Para lá da haute cuisine e da moda, há outra tradição antiga em Paris. Desde épocas anteriores a Napoleão que a cidade luta contra o flagelo malcheiroso dos pipis sauvages, o nome chique para a micção na via pública. A prática generalizada é tecnicamente ilegal, mas isso não parece estancar os fluxos despejados na via pública, nos vasos e nos candeeiros de rua.

O que pode fazer a cidade? A autarquia procura transformar um delito público em algo parecido com serviço público. No início de 2017, funcionários da Câmara de Paris estabeleceram uma parceria com a Faltazi, uma agência de design francesa para desenvolver uma ideia nova: a instalação de urinóis públicos em locais conhecidos pela sua abundante micção. O receptáculo, conhecido por Uritrottoir, ou “urinol do passeio” contém palha ou serradura capazes de reter o odor. Quando cheios (depois de cerca de duzentos “depósitos”), um sensor alerta para a necessidade de esvaziamento. A mistura resultante é levada para um local onde se transforma em composto, e, eventualmente, esse composto torna-se alimento vegetal, “mas apenas para flores”, assegura Laurent Lebot um dos responsáveis por esta criação.

A Faltazi está a testar dois modelos na Gare de Lyon, em Paris, e noutras duas cidades na esperança de responder a diferentes questões. Será que as pessoas vão realmente usar o Uritrottoir? E se isto resultar para os homens poderá desenvolver-se também um modelo específico para mulheres que lhes garanta discrição?

Os equipamentos não são baratos – custam cerca de 4.700 euros acrescidos dos custos de manutenção, e podem vir a encorajar mais micção pública e não menos. E se o resultado final substituir o odor agreste pelo cheiro de pão fresco acabado de cozer ? Mais oui!

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