A jornalista e pioneira Eliza Scidmore foi a primeira redactora oficial da revista. Foi igualmente fotógrafa e chegou a pertencer à administração.

Texto Nina Strochlic   Fotografia Sociedade Histórica do Wisconsin e Eliza R. Scidmore, National Geographic Creative

 

Embora fosse uma fotógrafa regular, esta é uma das poucas imagens sobreviventes de Eliza Scidmore. Fotografia Sociedade Histórica do Wisconsin.

Durante a infância, Eliza Scidmore estudava mapas e sonhava com terras distantes. Viajar, disse mais tarde, “deve ter nascido comigo, à semelhança do pecado original”. Mais de 150 anos depois, Eliza é recordada como a primeira mulher redactora, fotógrafa e membro da administração da National Geographic Society (NGS). Foi também uma figura crucial na transformação da revista de um jornal académico denso para uma revista de divulgação ao público leigo.

Em 1876, com 19 anos, Eliza foi enviada para relatar a Exposição Internacional do Centenário em Filadélfia pelo “National Republican”, tornando-se uma das primeiras mulheres jornalistas do país.

Em 1876, com 19 anos, Eliza foi enviada para relatar a Exposição Internacional do Centenário em Filadélfia pelo “National Republican”, tornando-se uma das primeiras mulheres jornalistas do país. Rapidamente ganhou notoriedade, escrevendo sobre política e sociedade em Washington. Quando se tornou membro da National Geographic Society, constituída em 1888, Eliza já era uma exploradora respeitada. Tinha impressionado os aventureiros da época com a sua viagem num navio a vapor ao então inexplorado Alasca e cativou o público com relatos do Japão, que recentemente abrira as suas fronteiras aos visitantes ocidentais. Dois anos depois de se juntar à National Geographic, o conselho composto apenas por homens, elegeu-a como “correspondente da administração”, o membro do conselho encarregado da gestão das comunicações com entidades exteriores.

Quando o presidente da NGS, Gardiner Greene Hubbard, lhe pediu opinião sobre a revista, ela respondeu que “precisava de um abanão.”

Quando o presidente da NGS, Gardiner Greene Hubbard, lhe pediu opinião sobre a revista, ela respondeu que “precisava de um abanão.” A primeira edição fora publicada em 1890, mas a fotografia só se generalizou na revista a partir de 1905, ano em que uma reportagem ilustrada com 11 páginas sobre Lhasa, no Tibete, ajudou a potenciar o número de assinantes: de três mil para vinte mil em apenas dois anos.
Em 1909, Eliza pediu ao editor Gilbert H. Grosvenor para imprimir as suas fotografias de templos chineses a cores, prevendo que o novo sistema revolucionaria a fotografia. No ano seguinte, enviou-lhe um conjunto de fotografias do Japão com uma nota que dizia “para se cobrir de glória com outro número a cores e assim conseguir mais alguns milhares de assinantes.” A série de 11 imagens foi publicada em 1914 e Eliza Scidmore recebeu 450 dólares (cerca de oito mil euros a preços modernos), o valor mais alto pago pela revista até então.

Apanhadores de pérolas aguardam por uma embarcação em Ise, no Japão. As fotografias coloridas eram muito dispendiosas. Em 1911, cada chapa custava 50 dólares, o equivalente a 1.100 euros a preços modernos. Fotografia Eliza R. Scidmore, National Geographic Creative.

Eliza Scidmore continuou a colaborar com a NGS enquanto atravessava a Ásia. Após a Primeira Grande Guerra, mudou-se para Genebra para cobrir a recém-criada Liga das Nações. A sua casa, decorada com recordações de uma vida, tornou-se um ponto de encontro de diplomatas.

Todos os anos, na Primavera, a cidade de Washington celebra o seu legado. 

Aos 71 anos, foi hospitalizada com uma apendicite. Foi “desagradável, lento e poderá imaginar o transtorno que [a doença] causou aos meus planos”, escreveu numa carta. Eliza Scidmore morreu semanas depois, em 5 de Novembro de 1928 e foi sepultada no Japão. Um obituário publicado num jornal referia: “É provável (…) que nenhuma mulher americana tenha tido  um grupo mais cosmopolita de amigos ou temas de trabalho mais variados do que a menina Scidmore [sic].”
Todos os anos, na Primavera, a cidade de Washington celebra o seu legado. Depois da sua primeira visita ao Japão, em 1885, Eliza Scidmore passou três décadas a sensibilizar as autoridades locais para que se plantassem cerejeiras na cidade. Actualmente, as fugazes flores das cerejeiras atraem a esse local mais de 1,5 milhões de visitantes todos os anos.

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