Com a indústria lunar privada quase a descolar, há um movimento para proteger os locais de alunagem icónicos da primeira era da corrida espacial.

Texto Brad Scriber   Fotografia NASA

 

Em 2011, a NASA solicitou que nenhum vaivém alunasse num raio de dois quilómetros dos seis locais das missões Apollo. A agência ainda é proprietária dos veículos de exploração não tripulados e de outros artefactos, mas o direito espacial não lhe confere prioridade para a protecção de pegadas icónicas, como as que foram deixadas pelo último caminhante da Lua, Gene Cernan que, em 1972 disse: “Se Deus quiser… regressaremos, com paz e esperança para toda a humanidade.”

No acampamento abandonado, ocupado por menos de um dia, os visitantes deixaram para trás instrumentos sofisticados e parte do vaivém que os transportou nesta viagem. Abandonaram igualmente objectos simples, como colheres e balanças, recipientes e dois pares de botas. Demasiado pesado para ser transportado de regresso à Terra, o lixo de uma missão bem-sucedida ficou no sítio exacto onde foi deixado.

Abandonaram igualmente objectos simples, como colheres e balanças, recipientes e dois pares de botas.

No lado da Lua voltado para a Terra, sem água nem vento a perturbá-lo, a Base da Tranquilidade continua serena 48 anos mais tarde. Várias instituições consideram esta cápsula temporal intacta tão merecedora de protecção como qualquer sítio arqueológico na Terra. O Google Lunar XPrize ofereceu uma recompensa volumosa para quem obtiver filmagens de um local de alunagem das missões Apollo. Embora as equipas tenham prometido ser cuidadosas, os académicos também se preocupam com quem vier a seguir.
Dois estados norte-americanos (a Califórnia e o Novo México) reconheceram a importância histórica dos artefactos da Base da Tranquilidade, mas a administração federal mostrou reticências quando lhe foi pedida a atribuição de uma distinção formal para as missões Apollo. Existe o receio na comunidade de que tal possa ser interpretado como reivindicação de direitos sobre a própria Lua. O Tratado do Espaço Sideral das Nações Unidas, que gere a exploração e usufruto da Lua desde 1967, impede qualquer país de reivindicar soberania sobre o satélite.

Os visitantes deixaram para trás instrumentos sofisticados e parte do vaivém que os transportou nesta viagem

Caso venha a ser concedido, o estatuto de protecção exigirá provavelmente o acordo de várias nações, incluindo do número crescente de países cujas sondas deixaram os seus próprios vestígios físicos na Lua. 

Mais do que exploração

 Abandonados na poeira lunar, os artefactos das missões Apollo testemunham a nossa curiosidade científica, nostalgia e ilusões.

 

Homónimos  - Charles Duke nunca chegou à cratera Dot, assim denominada pela Apollo 16 em homenagem à sua mulher, Dorothy, ou à cratera Cat,um acrónimo em honra dos seus filhos, Charles e [and] Tom. Em contrapartida, deixou uma fotografia na Lua. Décadas de exposição devem ter desbotado a imagem, mas talvez as assinaturas no verso ainda sejam legíveis, juntamente com a inscrição que identifica o grupo como a família do astronauta Duke, do planeta Terra.

Tombados - Apenas doze homens caminharam sobre a Lua, mas foram necessários os melhores esforços tecnológicos do século para levá-los até lá. Inúmeras pessoas contribuíram e algumas perderam a vida. “Fallen Astronaut” é uma escultura de alumínio com 8,5 centímetros em homenagem aos 14 astronautas e cosmonautas que morreram na corrida espacial. David Scott deixou a escultura e uma placa com os nomes na superfície da Lua durante a missão Apollo 15. No ano seguinte, Paul van Hoeydonck assumiu a autoria da obra de arte por ocasião do lançamento da Apollo 16. Um plano para vender réplicas da peça alimentou controvérsias sobre a vontade de tornar lucrativas as missões lunares.

 

Alunagem do Falcon  - “Quem diria… o Senhor Galileu estava certo”, declarou David Scott, comandante da Apollo 15, fingindo admiração após testar a lei do cientista italiano: sem a fricção da atmosfera, objectos de qualquer peso caem à mesma velocidade. Enquanto as câmaras filmavam, David largou a pena de falcão da sua mão esquerda e um martelo mil vezes mais pesado com a outra mão. Tocaram no solo ao mesmo tempo. Três dias antes, conhecimentos derivados desse princípio ajudaram a equipa a alunar em segurança a bordo do módulo lunar Falcon.

Swing e lançamento - Com o trabalho quase terminado, os astronautas da Apollo 14 dedicaram-se ao desporto. Alan Shepard levara um taco de golfe acoplado à pega de uma ferramenta para recolha de amostras de solo. Bateu duas bolas, uma das quais aterrou numa cratera nas proximidades. Edgar Mitchell seguiu-o com um “lançamento de dardo”, atirando a vara de um colector de vento solar a pouca distância da bola. Ambos os objectos eram visíveis (primeiro plano) da janela do módulo quando os astronautas se preparavam para deixar a Lua.

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