O arqueólogo Lee Berger, de 51 anos, procura fósseis de hominídeos e usa métodos pouco ortodoxos. Disponibiliza todos os seus dados em fontes abertas e publica as suas descobertas para o público e não apenas para os seus pares. O seu novo livro, “Almost Human”, levanta novas questões sobre a forma como os seres humanos se desenvolveram.

Fotografia Jonathan Torgovnik, Getty Images Reportage. 

 

De que forma o Homo naledi desafiou as teorias da origem da humanidade??
O Homo naledi terá 300 a 200 mil anos de idade. Isto significa que temos um hominídeo primitivo com um cérebro pequeno que existia em África até ao final do Plistocénico médio, um período no qual se começaram a criar ferramentas complexas. Descobrimos ainda uma segunda galeria, mais discreta na gruta, que continha vestígios de Homo naledi, incluindo um esqueleto. Agora, temos duas ocorrências deste extraordinário hominídeo. Pode imaginar as questões que se vão levantar.

 Ao publicar dados sem tratamento recebe certamente críticas prematuras.
Sim, há críticas, mas isso é comum em qualquer ciência em transição. A filosofia por trás do open sourcing e da partilha dos nossos dados passa pela transformação da arqueologia da pré-história numa ciência experimental. O campo de trabalho não tem operado dessa forma. Se outros não puderem testar as hipóteses que colocamos, não é uma ciência experimental.

A associação a questões tão decisivas ameaça a carreira académica se os resultados não se comprovarem?
Outros campos da ciência experimental incluem cientistas em início de carreira, que trazem as ideias mais frescas e aplicações mais recentes da tecnologia. Nunca se deve considerar que um cientista coloca a sua carreira em risco por estar errado. Essa é a própria natureza das hipóteses.

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