A Lua de Leonardo da Vinci

Nos primeiros dois a três dias após a Lua nova, altura em que se inicia a fase crescente, o horizonte oeste da esfera celeste revela uma perspectiva singular do satélite natural da Terra, semelhante à expressão facial de um sorriso. 

Texto e Fotografia Miguel Claro

 

Há cerca de cinco séculos, Leonardo da Vinci descreveu este fenómeno no Códex Leicester (1506-1510). A Lua parece cheia ao observador da Terra, mas ainda só passaram dois dias após a Lua nova.

A partir da Terra, com a chegada do crepúsculo náutico que ocorre cerca de 30 minutos após o pôr do Sol, torna-se visível na superfície lunar o fenómeno de “Earthshine”, que consiste na luz solar reflectida pelo nosso próprio planeta e que incide na superfície da Lua, nesta fase ainda parcialmente à sombra, reflectindo de volta para o espaço a luz da Terra iluminada pelo Sol. 

 A esta dupla reflexão, dá-se o nome de “Luz Cinzenta”. A Lua aparenta estar cheia, mas, na verdade, a sua área inferior reflecte desproporcionalmente mais luz do que o restante disco por se encontrar directamente iluminada pelo Sol. Numa fotografia de longa exposição, capta-se o fenómeno, tornando perceptíveis zonas de impacte como a cratera Tycho (86km) ou a pequena Dionysius (18km), na margem esquerda do Mar da Tranquilidade. Cientistas da NASA estudaram o albedo da Terra e concluíram que a Primavera do hemisfério norte seria a estação do ano mais favorável para a observação do fenómeno. 

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