Em 1812, como resultado do aumento da influência norte-americana no globo, as escaramuças com os britânicos sucediam-se, levando James Madison e o Congresso a declarar guerra à Grã-Bretanha. 

Texto Alexandre Monteiro   Fotografia Naval History & Heritage Command e ©AGE/Casa da Imagem

No mar, a grande potência europeia dominava e o Congresso viu-se na contingência de emitir cartas de corso de modo a aumentar a sua influência. Munido de uma destas cartas, o capitão Samuel C. Reid partiu de Nova Iorque, a 9 de Setembro de 1814, em direcção aos Açores a bordo do brigue General Armstrong. A tripulação de 90 homens ancorou, no dia 26 de Setembro, pelo meio-dia, no porto da Horta para proceder à aguada. No entanto, um pouco antes do pôr do Sol, dobraram a ponta nordeste do porto da Horta três navios ingleses.

O capitão Reid manobrou de modo a que o navio ficasse sob a protecção das peças de artilharia portuguesa. 

O capitão Reid manobrou de modo a que o navio ficasse sob a protecção das peças de artilharia portuguesa. A partir deste ponto, as versões do sucedido divergem: para os britânicos, o General Armstrong teria provocado os ingleses; para os americanos, ocorreu uma tentativa de abordagem por quatro escaleres ingleses.
Às 20 horas, Reid mandou fazer fogo sobre os escaleres. Despeitado, um dos comandantes ingleses ordenou o envio, por volta da meia noite, de mais 12 escaleres de assalto, que viriam igualmente a ser destroçados.

Apesar de contemporânea dos incidentes, esta litografia apresenta-se como um esforço de propaganda, segundo o especialista Robert Bowen. Uma das imprecisões é o cenário diurno concebido para uma refrega registada durante a noite. Fotografia AGE/Casa da Imagem.

Em desrespeito pela neutralidade portuguesa, os ingleses ordenaram a um dos brigues que bombardeasse o corsário americano. Nem as casas nem a população faialense escaparam à barragem de artilharia que venceu a tripulação do General Armstrong. Após ter inundado parte do casco e obstruído as bocas de fogo, Reid deu ordens para o abandono do navio, dirigindo a tripulação para terra. Um dos tripulantes recuperou a figura de proa que representava o general Armstrong, de modo a evitar a sua captura. Logo após a sua saída, o navio foi abordado por um destacamento inglês que, depois de o saquear, o fez arder. 

Após o afundamento, Reid – que viria a desenhar a bandeira americana tal como a conhecemos hoje – protestou pela afronta sofrida num porto neutro.

Após o afundamento, Reid – que viria a desenhar a bandeira americana tal como a conhecemos hoje – protestou pela afronta sofrida num porto neutro, reclamando uma compensação pelos danos sofridos. Levado o assunto às instâncias internacionais, faltava provar quem tinha em primeiro lugar violado a neutralidade portuguesa. 
O árbitro nomeado, Napoleão III, decidiu em favor dos ingleses, mas a disputa prolongou-se. Em 1884, e já depois de a Marinha norte-americana ter ameaçado bombardear Lisboa, o filho de Reid viria a receber uma indemnização de 70 mil dólares.

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