Como se cria uma ilustração para a National Geographic

O criador do mapa destacável que acompanha a reportagem de capa deste mês é Fernando G. Baptista, um ilustrador nascido em Bilbau e editor-sénior do Departamento de Ilustração e Infografia da National Geographic.

Notas1

A criação de uma ilustração obedece a vários passos. Na imagem, um dos esboços iniciais desenhados à mão pelo autor para a construção da imagem final.

O fascínio de Fernando pelos vikings não é recente. Há anos, quando ainda vivia no País Basco, em casa dos pais, coleccionava livros sobre estes navegantes da Europa do Norte e chegou a construir uma maqueta com mais de um metro de comprimento de uma destas embarcações. Anos mais tarde, viajou até à Dinamarca e, no Museu de Navios Viking de Roskilde, teve oportunidade de admirar os vestígios de algumas magníficas embarcações ali conservadas.
“Para esta ilustração, no entanto, decidi inspirar-me no célebre navio Gokstad, encontrado perto de Sande-
fjord, na Noruega, talvez porque é o que se conhece melhor. É elegante, sóbrio. É espectacular”, resume.

VIKINGS GATEFOLD

Para o desenvolvimento de uma ilustração com esta riqueza de pormenor, Fernando G. Baptista estuda a fundo o tema, observa e esclarece dúvidas com especialistas na matéria.

Para além de ler tudo aquilo que conseguiu sobre aquela cultura e de se documentar a fundo, o artista deslocou-se a Chicago para estudar de perto a réplica daquela embarcação produzida no âmbito da Exposição Universal de 1893. “Enquanto ali estive, chegou ao porto da cidade o Draken Harald Hårfagre, a maior réplica de uma embarcação viking alguma vez produzida. Proveniente da Noruega, tinha atravessado com sucesso o Atlântico. Tive oportunidade de conversar com os marinheiros e construtores do navio, profundos conhecedores da navegação viking.”

Em vez de produzir as ilustrações com recurso a computador, usou as próprias mãos para dar um toque mais pessoal a esta criação.

Hoje, sabemos que cada marinheiro ocupava um lugar específico no navio. Todos viajavam na coberta durante as travessias já que, em embarcações tão planas, não havia coberta inferior. Numa viagem posterior à Dinamarca, o ilustrador ficou a saber também que o comandante normalmente viajava à popa e o vigia à proa. Os escravos eram colocados na área central do navio para garantir a estabilidade. “Os especialistas dinamarqueses confirmaram que os vikings não usavam pregos no tabuado da coberta. As pranchas podiam assim ser removidas com facilidade, permitindo o armazenamento de objectos por baixo delas.  As embarcações tinham de ser muito flexíveis para resistir aos duros embates em mares tão duros.”

Notas2

Para o ilustrador Fernando G. Baptista, a construção manual de maquetas como passo prévio de uma ilustração é fundamental para dar vida aos seus trabalhos. Fotografia: Mark Thiessen.

Depois de realizar os esboços preliminares, Fernando construiu as maquetas. E, em vez de produzir as ilustrações com recurso a computador, usou as próprias mãos para dar um toque mais pessoal a esta criação. “É a melhor forma de conseguir a luz, textura e cores que quero nas minhas ilustrações.” O resultado está à vista.

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