Fósseis de quando a Península Ibérica era equatorial

Na região de São Pedro da Cova, na Bacia Carbonífera do Douro, a equipa do paleontólogo Pedro Correia, do Instituto de Ciências da Terra da Universidade do Porto, encontrou duas novas espécies de plantas fossilizadas – Ilfeldia gregoriensis e Lesleya iberiensis – correspondentes à idade do Gzheliano (Carbonífero superior), há cerca de 303 milhões de anos.

Fotografia João Nunes da Silva. Fonte “Lesleya Lesquereux from the Pennsylvanian of the Iberian Massif: part of a dryland megaflora from the Variscan orogen, northwestern Portugal” (2016), Pedro Correia et al.

Um exemplar da nova espécie Ilfeldia gregoriensis depositado no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto.

As duas espécies ajudam a reconstituir a paisagem deste território na transição do Carbonífero para o Pérmico, pois são floras características de climas secos e áridos. A segunda, aliás, corresponde à primeira ocorrência do género Lesleya no maciço ibérico, provando que esta megaflora também crescia em ambientes montanhosos ripícolas. As jazidas de São Pedro da Cova, no concelho de Gondomar, são uma das áreas portuguesas mais ricas em fósseis de plantas extintas, ajudando a compreender melhor um período em que a Península Ibérica se encontrava situada numa zona equatorial, ou seja, em clima tropical e húmido.

Os novos fósseis de plantas juntam-se a outras descobertas de fósseis de insectos, igualmente descritos recentemente. Os trabalhos vão continuar, não apenas nesta região, “mas também noutras áreas da Bacia Carbonífera do Douro”, diz Pedro Correia.

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