A ornamentação dos paquidermes é uma forma de arte no festival anual de Jaipur, na Índia.

Texto Rachel Hartigan Shea   Fotografia Charles Fréger

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Os elefantes desempenham um papel importante na história e cultura da Índia.

A realeza da Índia compreendeu há muito que o poder se exerce melhor do alto do dorso de um elefante. Os reis mostravam-se aos súbditos montados sobre elefantes. As presas de marfim faiscavam com ouro e prata e os corpos dos animais refulgiam de seda e veludo. “Um elefante montado por um rei é radioso; um rei montado num elefante é resplandecente”, proclama um manuscrito histórico.

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No passado, os elefantes transportavam guerreiros para a batalha. Hoje, levam noivos em deslumbrantes desfiles nupciais.

Hoje, os verdadeiros reis são os turistas e, por isso, no Festival do Elefante em Jaipur, no Rajastão, a pompa tradicional dá lugar a jogos de pólo com elefantes, provas de força entre paquidermes e concursos de beleza elefantinos. Os participantes neste festival são animais de trabalho, que passam a maior parte dos dias içando turistas até ao Palácio Âmbar, um lugar histórico numa colina que atrai visitantes de todo o mundo. Os elefantes são vestidos com indumentárias garridas para o festival. Na Primavera passada, o fotógrafo Charles Fréger deslocou-se a Jaipur para captar imagens dos elefantes em todo o seu esplendor.
Sentiu-se atraído para aqui porque, na Índia, os elefantes “ora são sagrados, ora são explorados”. Mas também possuem personalidades fortes: “Estão sempre a brincar e em movimento.” Charles conseguiu fotografar, mas o festival acabou por ser cancelado porque, segundo as informações então fornecidas, grupos de activistas dos direitos dos animais questionaram a forma como estes são tratados.

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Os elefantes asiáticos não têm as grandes presas dos elefantes africanos e muitos machos nem sequer as possuem. As fêmeas apresentam dentes longos, ocultos sob o lábio superior.

Há muito que o elefante é venerado pelos indianos. E isso tem “contribuído enormemente” para a sua protecção, segundo Rachel Dwyer, uma investigadora britânica que pesquisa a história cultural dos elefantes indianos. “Os elefantes da Índia resistiram melhor do que os restantes elefantes da Ásia.” O deus Ganesh, com cabeça de elefante, especialista em eliminar obstáculos, é invocado sempre que se dá início a um novo empreendimento.

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Alguns cornacas aparafusam presas de plástico a estes dentes (à esquerda) para conferirem uma aparência mais dramática aos seus elefantes.

Os elefantes reforçam a aura que rodeia os templos e abençoam os crentes. No entanto, estes animais enfrentam um futuro incerto. Cerca de três mil e quinhentos a quatro mil elefantes vivem em cativeiro. Foram tomadas algumas medidas para melhorar o seu bem-estar. Os elefantes fotografados nesta reportagem vivem em Hathi Gaon, uma aldeia nas proximidades do Palácio Âmbar especificamente concebida para os elefantes e os seus cornacas. As vedações altas que abrigam os elefantes encontram-se dispersas pelas imediações de charcos onde os cornacas banham estas grandes criaturas no final de cada dia. “Todos os indianos demonstram afeição, respeito e grande dedicação ao elefante”, resume Suparna Baksi Ganguly, outrora membro da Força de Intervenção Indiana para os Elefantes.

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A decoração dos elefantes faz-se com os mesmos pigmentos utilizados durante o Holi, o festival hindu no decurso do qual os celebrantes se ornamentam de cores garridas. Artistas profissionais pintam os elefantes com antecedência, preparando-os para o festival de Jaipur, que se realiza na véspera do Holi.
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