Uma pesquisa no Google devolve mais de 55 milhões de resultados para a questão “como viver com”. Se usar “como viver com as alterações climáticas”, os resultados caem para uns 44 mil.

Texto  Patricia Edmonds Arte  Romualdo Faura Fotomontagem  Javier Jaén

Ainda assim, parece um volume razoável de ideias e sugestões. Entre elas, encontraremos seguramente algumas que nos podem ajudar a adaptar-nos ao que não conseguimos corrigir. Na escola primária, aprendemos qualquer actividade ao fazê-la. No caso das alterações climáticas, o período de aprendizagem começou e o desafio que enfrentamos é assustador: vagas de calor, períodos de seca, condições climáticas extremas, escassez de água, colheitas agrícolas incertas e novas ameaças para a saúde. Com tecnologia e engenho, encontraremos formas de gerir a nova realidade.

RISCOS SANITÁRIOS

As alterações climáticas não afectam apenas a saúde do planeta, pois têm também implicações para os seres humanos. Os efeitos variam de acordo com a idade, género, geografia e estatuto socioeconómico. Um estudo internacional recente publicado na revista “Lancet” defende que muito mais pessoas estarão expostas a eventos climáticos extremos ao longo do próximo século do que se pensava anteriormente. Esse “risco potencialmente catastrófico para a saúde humana” poderá desfazer os avanços de saúde pública dos últimos 50 anos a nível mundial. 
Para além do impacte directo das condições meteorológicas extremas, as alterações climáticas podem afectar o bem-estar de formas menos directas, como a exposição à poluição atmosférica, a doenças transmitidas através da água, fome ou subnutrição. Novos passos estão em curso.
No Benin, onde ocorrem frequentemente inundações, as apólices de seguros já abrangem agora despesas com a malária e infecções intestinais, que tendem a aumentar à medida que o planeta aquece e o nível do mar sobe. Nas Filipinas, país de clima quente e húmido, programas específicos dedicados aos bairros desfavorecidos ajudam a gerir riscos relacionados com o clima, providenciando pequenos empréstimos monetários, educação para a higiene e controlo de resíduos e água. Enquanto isso, especialistas de saúde pública em todo o mundo pedem medidas de grande alcance para ajudar as populações a manterem-se saudáveis apesar das inundações, das secas e das vagas de calor, solicitando acesso mais amplo à água potável, a sistemas de saneamento, a vacinação e a cuidados de saúde infantil.

 

     OUTROS RISCOS 

  • A poluição com origem em fogos florestais pode dar origem a problemas respiratórios. O ozono também pode ser mortal e foi apontado como causa associada a metade dos óbitos registados durante a vaga de calor de 2003.
  • Cortes de energia em condições meteorológicas extremas podem paralisar hospitais e sistemas de transporte quando mais precisamos deles.
  • Quebras na produção agrícola podem levar à subnutrição, fome e preços mais elevados dos alimentos. Mais CO2 no ar poderá tornar culturas básicas, como a cevada e a soja, menos nutritivas.
  • Doenças profissionais como o risco de insolação, irão aumentar, especialmente entre agricultores e operários da construção civil. O horário de trabalho poderá mudar para o amanhecer e o entardecer, períodos do dia em que há mais insectos portadores de doenças.
  • Dias mais quentes, mais chuva, e níveis de humidade mais altos produzirão mais carraças, que espalham doenças infecciosas como a doença de Lyme.
  • Refugiados climáticos são pessoas forçadas a mudarem-se devido a condições climáticas extremas ou à subida do nível do mar. Enfrentam mais riscos de saúde, como a subnutrição, doenças associadas à água, sarampo e infecções respiratórias.
  • A má qualidade atmosférica pode interferir com as actividades desportivas ao ar livre, contrariando a sua eficácia no combate à diabetes e à obesidade.
  • A degradação dos solos, a escassez de água potável, as pressões demográficas e outros problemas relacionados com as alterações climáticas são causas potenciais para conflitos.  
  • A subida do nível do mar pode ameaçar as reservas de água potável das regiões de baixa altitude. A maior frequência de tempestades severas pode fazer transbordar os sistemas de esgotos das cidades.  
  • Traumas com origem em inundações, secas e vagas de calor podem dar origem a problemas de saúde mental como a ansiedade, a depressão e o suicídio.
  •  A subida do nível do mar pode ameaçar as reservas de água potável das regiões de baixa altitude. A maior frequência de tempestades severas pode fazer transbordar os sistemas de esgotos das cidades. 
  • Mais calor pode significar uma estação de alergias mais longa e mais  doenças respiratórias. Mais chuva faz aumentar o bolor, os fungos e os poluentes do ar nas habitações.
  • A febre de dengue transmitida por mosquitos aumentou 30 vezes nos últimos 50 anos. Três quartos dos indivíduos expostos à doença vivem na região da Ásia-Pacífico.
  • Pessoas mais idosas e crianças pobres, especialmente aquelas já atingidas por malária, subnutrição e diarreia, tendem a ser mais vulneráveis a doenças relacionadas com o calor.
  • Seca e escassez crónica de água atingem áreas rurais e 150 milhões de habitantes urbanos. Se as cidades não se adaptarem, o número poderá chegar a mil milhões até 2050.
  • Fenómenos climáticos extremos afectam normalmente mais pessoas idosas e sedentárias do que pessoas jovens com maior mobilidade.

 

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