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Na ISEF de 2019, a russa Inna Larina espreita por um dispositivo de visionamento que desenhou com a sua colega de equipa, Nataliya Ivlieva. O dispositivo sem-fios está equipado com sensores que cartografam a distância até um obstáculo, como um passeio de rua, permitindo a cegos e amblíopes deslocarem-se em locais não conhecidos.

O futuro da investigação é cada vez mais feminino. Programas que acompanham raparigas interessadas em carreiras nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática estão a impulsionar uma nova geração de estudantes e a contrariar algumas barreiras que desmotivaram gerações anteriores.

Texto: Claudia Kalb

Fotografias: Dina Litovsky

Shriya Reddy, de 16 anos, não se lembra de alguma vez não ter sentido entusiasmo pela ciência. Aos 7 anos, lia livros de biologia com a mãe, que estava a estudar para o exame de admissão à Ordem dos Médicos. No sexto ano de escolaridade, já competia em feiras de ciência exigentes. Antes de iniciar o nono ano, começou a fazer trabalho de investigação para um laboratório de bioengenharia da Universidade Wayne State, em Detroit, onde concebeu uma abordagem não-invasiva para o diagnóstico rápido de lesões causadas por melanomas. O projecto valeu-lhe o primeiro prémio na prestigiada Feira Internacional de Ciência e Engenharia (ISEF, no acrónimo anglófono), em Maio passado.

“A ciência é saber como e por que motivo os fenómenos acontecem”, diz Shriya. “Eu quero muito fazer parte disso.” A determinação desta jovem coincide com um esforço crescente nos EUA para aumentar o número de raparigas que pretendem seguir carreiras na ciência, tecnologia, engenharia e matemática (áreas agrupadas sob a sigla STEM). Da NASA à Academia Naval, instituições e universidades estão a organizar “Dias de STEM” só para raparigas. Organizações como a Academia de Ciências de Nova Iorque estão a juntar mulheres que tenham carreiras nas STEM com raparigas que procuram aconselhamento e tutoria. A ISEF, organizada pela Society for Science & the Public, sediada em Washington, dispõe de um fórum para seleccionar alunos do ensino secundário para competirem a nível internacional. O evento deste ano reuniu 1.842 finalistas, distribuídos por géneros em partes iguais, e três dos quatro prémios principais foram ganhos por jovens mulheres, incluindo Shriya Reddy. “A participação na experiência já foi fabuloso para mim”, diz.

 

Mary Sue Coleman, bioquímica e presidente da Associação das Universidades Americanas, mostra-se optimista em relação ao futuro das mulheres na ciência. Quando participou na ISEF como aluna do secundário em 1959 e 1960, havia 35% de participantes femininas. O equilíbrio de género é importante porque as mulheres trazem novas perspectivas à resolução de enigmas científicos, assegura. “Pessoas com experiências de vida diferentes fazem perguntas diferentes”, acrescenta. 

Permanecem, contudo, algumas lacunas evidentes. Este ano, as jovens mulheres que participaram na ISEF superaram, em número, os homens nas áreas da microbiologia e da química, mas constituíram menos de um terço dos finalistas das categorias de matemática e engenharia mecânica. Há mais mulheres a alcançar graus académicos avançados nas STEM, mas os homens detêm a maioria dos cargos docentes e de liderança nas indústrias derivadas das STEM, segundo a Associação Women in Science.

Mesmo assim, está a registar-se uma mudança, acrescenta Maya Ajmera, presidente e directora-geral da Society for Science & the Public.
As jovens mulheres, inventivas e obstinadas, estão a usar a tecnologia para abordar assuntos que lhes interessam, seja para criar um arroz nutricionalmente avançado ou para utilizar uma técnica de crochet no sentido de conceber um dispositivo Bluetooth portátil. Para estas jovens cientistas, o futuro “vai ser diferente”, diz. “Sinto-me muito confiante. Creio que esta geração de raparigas está em muito melhor posição para tentar resolver os problemas mais complexos do mundo.” 

 

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