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Texto: Joshua Foer   Fotografia: Carsten Peter

Séculos de erupções foram criando redes de cavidades escondidas sob os vulcões das ilhas.

Há alguns anos, os espeleólogos Peter e Ann Bosted passeavam pela sua cidade natal de Hawaiian Ocean View, na ilha Grande do Hawai, quando Ann vislumbrou uma pequena cavidade perto da estrada.

Não tinha mais do que um metro de diâmetro, mas era suficientemente convidativa para o casal encostar o carro e tentar deslizar por ela adentro.

“Tínhamos algumas horas para matar”, contou Peter. “Começámos a investigar e encontrámos uma passagem lateral que se revelou mais labiríntica do que esperávamos.” De regresso a casa, Peter assinalou a puka, ou entrada da gruta, num mapa digital e fez planos para lá voltar mais tarde, com autorização do dono do terreno, para descobrir até onde a abertura poderia levá-lo.

Vista do espaço, a cidade de Hawaiian Ocean View parece um tapete entrançado de asfalto posicionado sobre a encosta do vulcão Mauna Loa. A malha urbana, composta por 264 quilómetros quadrados de ruas entrecruzadas e terrenos vazios, tem mais do dobro da superfície de Lisboa, mas menos de 4.500 habitantes. Ocean View tornou-se um destino internacional de espeleologia graças a Kipuka Kanohina, uma rede de cavidades lávicas semelhante a veias que corre entre 5 e 25 metros abaixo da cidade. 

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A erupção do vulcão Kilauea, ocorrida em 2016 na ilha Grande do Hawai, fez correr rios de lava até ao mar. Parte da rocha fundida deslizou pelo interior dos tubos moldados por episódios anteriores, enquanto outros caudais formaram novos túneis, acrescentando ramificações à canalização subterrânea.

Há duas maneiras de uma cavidade se formar: depressa e devagar! Muitas das grutas mais icónicas foram lentamente esculpidas ao longo de milhões de anos pela água ácida, gotejando ou fluindo sobre uma superfície de calcário. Em contrapartida, as cavidades lávicas são formadas num instante geológico (um ano ou talvez dois, por vezes semanas) por uma erupção da crosta terrestre.

No Hawai, a maioria dos tubos lávicos foram formados por um fluxo semelhante a xarope chamado pahoehoe. À medida que escorre pelo vulcão, a lava da superfície arrefece em contacto com o ar e solidifica, criando uma camada exterior elástica, parecida com a pele. Por baixo desta membrana insuflada, a lava continua a jorrar, erodindo o solo e esculpindo túneis subterrâneos. Isolada da atmosfera, a lava pode correr desimpedida, frequentemente ao longo de quilómetros. Quando a erupção acalma e os canais drenam os restos de lava fundida, o resultado é uma rede impressionante de tubagens tridimensionais.

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