Na pista dos grandes génios da humanidade

Algumas mentes são tão excepcionais que mudam o mundo. Não sabemos ao certo o que eleva estes indivíduos extraordinários acima dos outros, mas a ciência encontrou algumas pistas.

Texto Claudia Kalin   Fotografia Paolo Woods

 

Albert Einstein é o epítome da genialidade, o que motiva um interesse duradouro pelo seu cérebro. As ondas cerebrais do cérebro do físico foram registadas em 1951. Após a sua morte, em 1955, um patologista tingiu fatias do seu cérebro e colocou-as em lamelas de vidro. Muitas dessas lamelas (em baixo) estão em exposição no Museu Nacional da Saúde e Medicina, em Silver Spring (EUA). Fotografia MPI/Getty Images. (em cima).

 

O Museu Mütter, em Filadélfia, aloja um conjunto singular de peças anatómicas. No piso inferior, os fígados fundidos dos gémeos siameses do século XIX, Chang e Eng, flutuam num frasco de vidro. Ali perto, os visitantes espantam-se ao ver mãos inchadas pela gota, os cál-
culos renais do juiz John Marshall, presidente do Supremo Tribunal Federal dos EUA, o tumor cancerígeno extraído do queixo do presidente Grover Cleveland e o fémur de um soldado da Guerra da Secessão com a bala que o feriu ainda alojada. No entanto, existe um expositor junto da entrada que causa um espanto sem igual.

O objecto que os fascina é uma pequena caixa de madeira com 46 lamelas de microscópio. Cada uma contém uma fatia do cérebro de Albert Einstein.

O objecto que os fascina é uma pequena caixa de madeira com 46 lamelas de microscópio. Cada uma contém uma fatia do cérebro de Albert Einstein. A lupa colocada sobre uma das lamelas revela um pedaço de tecido do tamanho aproximado de um selo, com graciosas ramificações e curvas semelhantes à fotografia aérea de um estuário. Estes restos de tecido cerebral são hipnotizantes, apesar de pouco revelarem sobre os tão aclamados poderes cognitivos do físico. Outras exposições do museu revelam doenças e desfiguramentos – resultados de algo que correu mal. O cérebro de Einstein representa o potencial, a capacidade de uma mente excepcional, de um génio para se catapultar mais longe do que todos os outros. “Ele via as coisas de maneira diferente dos restantes”, afirma a visitante Karen O’Hair enquanto observa a amostra. “E era capaz de ir para lá do que não conseguia ver, o que é absolutamente espantoso.”
Ao longo da história, raros foram os indivíduos que se destacaram pelos seus contributos fulgurantes em determinado campo. Lady Murasaki pela sua inventividade literária. Miguel Ângelo pela sua mestria artística. Marie Curie pela sua acuidade científica. “O génio ilumina o seu tempo como um cometa em trânsito junto dos planetas”, escreveu o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Analise-se o impacte de Einstein na física: sem quaisquer ferramentas ao seu dispor além do poder do seu pensamento, previu, com a teoria geral da relatividade, que objectos giratórios maciços criavam ondas no tecido do espaço-tempo. Foram necessários cem anos, uma enorme capacidade de processamento informático e tecnologia incrivelmente sofisticada para provar que ele tinha de facto razão: há menos de dois anos, detectaram-se fisicamente estas ondas gravitacionais.

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