Os perigos de alterar o código da vida

Agora, utilizando a técnica CRISPR para editar o genoma em órgãos de porco, os investigadores parecem bem encaminhados para resolver esse problema. Um grupo dirigido por George Church, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e no MIT, utilizou esta ferramenta para remover a totalidade de 62 ocorrências de genes de REP numa célula renal de porco. É a primeira vez que tantas modificações celulares foram geradas em simultâneo num genoma. 
Quando os cientistas misturaram essas células editadas com células humanas em laboratório, nenhuma das células humanas ficou infectada. A equipa também modificou, noutro conjunto de células porcinas, 20 genes conhecidos por causarem reacções no sistema imunitário humano.
Neste momento, George Church já clonou essas células e começou a cultivá-las em embriões de porco. Tem esperança de iniciar ensaios em primatas dentro de um ou dois anos. Se os órgãos funcionarem correctamente e não forem rejeitados pelo sistema imunitário dos animais, os passos seguintes serão os ensaios em humanos. George acredita que isso poderá acontecer talvez dentro de 18 meses, acrescentando que, para muitos, a alternativa ao risco desse ensaio seria a morte. 

Muitas pessoas são rejeitadas por terem doenças infecciosas ou problemas com abuso de substâncias, entre outras razões.

O investigador sempre se esforçou por descobrir uma forma de proporcionar transplantes a pessoas classificadas como insuficientemente saudáveis para recebê-los. “A instituição mais parecida que temos neste país com sentenças de morte proferidas por um júri são as decisões tomadas sobre quem tem direito a transplantes” afirmou. “Muitas dessas decisões estão a ser tomadas tendo por fundamento os outros problemas que afectam a pessoa. Muitas pessoas são rejeitadas por terem doenças infecciosas ou problemas com abuso de substâncias, entre outras razões. A ideia subjacente é que estas pessoas não beneficiariam de um transplante, mas isso não é verdade. E se houvesse órgãos em abundância, seria possível fazê-lo para toda a gente.”
O furão-de-patas-negras é um dos mamíferos mais ameaçados da América do Norte. Outrora abundantes nas Grandes Planícies dos EUA, todos os furões-de-patas-negras vivos descendem de um de sete antepassados descobertos em 1981 num rancho perto de Meeteetse, no Wyoming.

O castanheiro-americano cobria outrora grande parte do Leste dos EUA até ser quase extinto por um fungo invasor no início do século XX. A tragédia é bem visível nesta floresta da Virgínia. Biblioteca do Congresso dos EUA.

Os furões, com reprodução endogâmica há várias gerações, carecem de diversidade genética, o que dificulta a sobrevivência de qualquer espécie. “São um exemplo clássico de uma espécie inteira que pode ser salva por meio de tecnologia genómica”, afirmou Ryan Phelan, do grupo Revive & Restore, responsável pela coordenação de esforços na aplicação da genómica à conservação. Em colaboração com o Zoológico de Criopreservação de San Diego, Ryan e os seus colegas tentam aumentar a diversidade dos furões introduzindo mais DNA variável nos seus genomas, provenientes de dois espécimes preservados há 30 anos. 
O trabalho de Ryan Phelan pode resolver dois problemas imediatos. O primeiro é a carência de alimento: os cães da pradaria, principal presa dos furões, foram dizimados por uma praga que afecta os animais selvagens, causada pela mesma bactéria que origina a peste bubónica nos seres humanos. E a praga é igualmente mortífera para os próprios furões, que adquirem a infecção ao alimentarem-se de cães da pradaria que morreram da doença. A vacina contra a forma humana da epidemia, desenvolvida na década de 1990, parece proporcionar imunidade aos furões para a vida inteira. 

Descubra uma nova visão do mundo!

Assine a National Geographic.

Pesquisar