O triunfo da mente: somos aquilo em que acreditamos

 

O povo achaninka do Peru utilizava vapor gerado por ervas fervidas nos seus rituais de tratamento. Esta cerimónia é celebrada por Mircyla Prado Pintallo: aos 11 anos, ela está a aprender a arte de vaporadora. Quando o doente inspira o vapor, Mircyla lê as folhas para saber se a cura teve sucesso e, possivelmente, prescrever outras ervas que ajudem o doente a recuperar a saúde. 

 Os doentes receberam formação acerca do poder dos placebos e da atitude positiva. Segundo foram informados, estava demonstrado, em ensaios clínicos rigorosos, que os comprimidos de placebo induziam processos significativos de auto-cura.

Karin Jensen, que gere o seu próprio laboratório no Instituto Karolinska de Estocolmo, projectou uma experiência destinada a determinar se seria possível recorrer a mensagens visuais subliminares para influenciar os participantes no estudo, de maneira a sentirem um efeito placebo. 

Durante a fase de condicionamento, os participantes visionaram num ecrã dois rostos em alternância. Karin utilizou rostos na sua experiência porque os nossos cérebros têm uma capacidade admirável para reconhecê-los rapidamente.

O padrão da roupa do curandeiro peruano Enrique Flores Agustín representa canções que ele entoa durante as cerimónias de cura. 

 Metade dos participantes recebeu mensagens subliminares: os rostos apareciam apenas durante uma fracção de segundo — tempo insuficiente para diferenciá-los de maneira consciente. Para os outros participantes, as mensagens faciais eram mostradas durante tempo suficiente para serem conscientemente reconhecidas. 

Durante esta primeira fase, os participantes recebiam estímulos variáveis de calor no braço, juntamente com as mensagens subliminares: mais calor a acompanhar o primeiro rosto, menos calor com o segundo. Na fase de ensaio que se seguiu, os participantes, incluindo aqueles que apenas tiveram um vislumbre rápido das mensagens subliminares, declararam sentir mais dor quando visionavam o primeiro rosto, embora os estímulos de calor se mantivessem moderados e idênticos para ambos os rostos. Por conseguinte, os participantes tinham criado uma ligação inconsciente entre maior intensidade de dor e o primeiro rosto. 

Investigadores de um ensaio realizado na Universidade de Stanford fazem experiências com estimulação magnética transcraniana para reduzir a dor. Antigo ou moderno, o teatro da cura funciona criando expectativas elevadas no cérebro. 

 A experiência demonstrou que uma reacção placebo pode ser condicionada subliminarmente. Karin afirma que pequenas mensagens recebidas quando entramos num hospital (muitas das quais inconscientemente assimiladas) desencadeiam no nosso corpo reacções de maneira semelhante. “Parte da cura não é consciente, é algo que acontece instintivamente”, declara. 

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