A grande corrida ao planeta vermelho

 Se a viagem não vos matar, viver lá talvez o faça.

 Texto Joel Achenbach   Fotografia Phillip Toledano, Robert Clark, Max Aguilera-Hellweg  e Mark Thiessen

Quatro dias depois de regressar de uma missão de quase um ano a bordo da Estação Espacial Internacional, Mikhail Kornienko conduz um simulador de veículo móvel marciano em Star City, o centro de treino dos cosmonautas russos. Não sabemos que condições os exploradores de Marte encontrarão quando um dia lá chegarem: os perigos da viagem incluem perda de massa óssea e lesões cerebrais. Fotografia: Phillip Toledano.

 Elon Musk quer ir a Marte. É famosa a sua afirmação de que quer morrer em Marte, embora não devido ao impacte do desembarque. A tecnologia que poderá contribuir para evitar esse desastre foi aprovada, num teste crucial, numa certa noite de Dezembro do ano passado, quando um foguete Falcon 9 construído pela empresa de Musk, a SpaceX, foi lançado de Cape Canaveral, na Florida (EUA), transportando onze  satélites de comunicações.

Mosaico de Marte composto por 102 imagens: projecto VIKING, USGS/NASA.

 Alguns minutos de voo mais tarde, o propulsor separou-se do resto do foguete, da mesma forma que milhares de propulsores gastos o fizeram desde os primeiros tempos da era espacial: normalmente ardem na atmosfera e os seus fragmentos precipitam-se sobre o oceano. Contudo, este propulsor não estava gasto. Em vez de cair, inverteu a trajectória e os seus motores voltaram a ligar-se para realizar, lentamente, a sua descida até um local de aterragem ali perto. Visto do solo, parecia que o filme da descolagem estava a ser rebobinado.

Nunca antes um foguete propulsor de classe orbital como este conseguira aterrar.

No centro de controlo de lançamento de Cape Canaveral e no centro de controlo da missão SpaceX em Hawthorne, na Califórnia, centenas de rostos viram a bola de luz aproximar-se em ecrãs de vídeo. Estavam hipnotizados. No centro de controlo de lançamento, Elon correu para o exterior para assistir à cena com os seus próprios olhos. Segundos mais tarde, ouviu-se um estrondo fatídico. Nunca antes um foguete propulsor de classe orbital como este conseguira aterrar. Nas primeiras tentativas da SpaceX, o foguete explodira.
Na verdade, o ruído fora apenas um estrondo sónico devido à velocidade com que o propulsor fizera a sua descida através da atmosfera. 

Chegou aos ouvidos de Elon no instante em que o propulsor aterrava – suavemente, em segurança e, finalmente, com sucesso. Diante dos seus ecrãs, o sengenheiros soltavam gritos de alegria.

 

Pousar suave para voar novamente - A empresa aeroespacial SpaceX está a desenvolver tecnologia que poderá um dia permitir o desembarque de seres humanos em Marte: foguetes reutilizáveis. Nesta imagem, um foguete Falcon 9 parte (no topo) de Cape Canaveral, na Florida, para levar provisões à estação espacial. Passados alguns minutos, o propulsor separa-se da secção superior, que prossegue em direcção à órbita terrestre. Em vez de cair no oceano, o propulsor vira-se ao contrário e liga os motores mais duas vezes para abrandar e pousar controladamente numa plataforma próxima (última imagem). Uma exposição longa (ao centro) capta a sequência completa: o rasto de luz em linha recta visível à direita é a trajectória de regresso do propulsor.  Fotografias: SPACEX (topo); Michael Seeley (ao centro); SPACEX (última imagem).

 A SpaceX acabara de alcançar um marco histórico na saga dos foguetes reutilizáveis. Elon Musk acredita que a tecnologia poderá reduzir os custos de lançamento para 1% do total actual, conferindo à SpaceX vantagem competitiva no seu negócio de lançamento de satélites e entrega de materiais à Estação Espacial Internacional. Essa nunca foi a preocupação de Elon. A primeira aterragem controlada de um foguete propulsor era “um passo essencial no caminho para a fundação de uma colónia em Marte”, afirmou durante uma conferência de imprensa nessa noite.

Elon Musk não quer pousar em Marte como os astronautas da Apollo alunaram.

Elon Musk não quer pousar em Marte como os astronautas da Apollo alunaram. Ele quer construir uma nova civilização antes que alguma calamidade, possivelmente auto-infligida, nos elimine da face da Terra. Os funcionários da SpaceX em Hawthorne usam frequentemente T-shirts com a frase “Occupy Mars” [Ocupar Marte]. Perto da secretária de Elon, há duas imagens gémeas de Marte penduradas numa parede: uma mostra o Planeta Vermelho e ressequido de hoje; a outra mostra um Marte azul, “terraformado” por engenheiros, com mares e rios. Este homem pioneiro imagina a colonização de Marte com uma flotilha de Mayflowers interplanetários, cada um transportando cem colonos, como o navio original, com a diferença de que muitos destes peregrinos pagariam 500 mil dólares, ou mais, por uma cama na nave espacial.

Trajando a rigor para Marte, Pablo de León, engenheiro espacial da Universidade do Dakota do Norte, testa um protótipo de fato espacial no “caixote de rególito”, no Centro Espacial Kennedy, da NASA. No interior da câmara, solo fino e ventoinhas simulam as tempestades de poeira que podem atormentar os astronautas em Marte. Fotografia Phillip Toledano.

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