seringa

Texto e fotografia: António Luís Campos
Arte: NGM-P

Na verdade, as agulhas podem ter os dias contados!

No Departamento de Química da Universidade de Coimbra (UC), foi desenvolvida uma seringa laser, que as poderá substituir em múltiplas aplicações. Segundo o investigador Luís Arnaut, “o protótipo tira partido da energia fotoacústica, e o laser nunca chega a estar em contacto directo com a epiderme”. A inovação é a fina película produzida na UC e que faz a transformação da luz em onda de pressão. Esta aumentará a permeabilidade da pele, permitindo a absorção de medicamentos ou cosméticos sem sangramento ou necessidade de cicatrização.

A onda de pressão é curta, na ordem dos nanossegundos, e o laser, de baixa intensidade, é aplicado durante 30 a 60 segundos sobre um creme que contém os componentes activos que se pretende introduzir no corpo. As experiências têm testado a penetração de materiais de diferentes dimensões, desde moléculas até proteínas, e já demonstraram que elementos que, por aplicação dérmica, demoravam quatro horas a ser absorvidos num creme, são-no agora em 30 minutos.
A equipa procura agora desenvolver unidades laser mais pequenas e acessíveis, que possam ser usadas em hospitais, centros de saúde ou clínicas de cosmética.

Na verdade, este método não substitui na totalidade as seringas de agulha, pois, além de ser mais lento, apenas permite introduzir e não retirar substâncias através da pele. No entanto, o seu baixo custo por utilização é uma vantagem: após o investimento inicial, a seringa laser não deverá ter despesas de operação nem produz resíduos, em contraste com as seringas convencionais, que constituem uma elevada percentagem do lixo hospitalar. 

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