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O  supercomputador do Barcelona Supercomputing Center (BSC) testa as moléculas que podem ser mais úteis para desenvolver fármacos contra o SARS-CoV-2. O BSC desenvolve o seu trabalho no âmbito de um consórcio formado com o IrsiCaixa e o IRTA CReSA. Fotografia: Pau Fabregat 

A humanidade está a lutar para suster o avanço de um vírus que afecta a saúde à escala planetária.

Apesar da catástrofe, a pandemia desencadeada pelo coronavírus sars-cov-2 está a surtir pelo menos um efeito positivo: o avanço inédito da investigação científica. Equipas de todo o mundo trabalham ininterruptamente para descobrir uma vacina que proteja as pessoas de novos contágios e fármacos para tratar os doentes. Há, pelo menos, uma centena de vacinas em fase de desenvolvimento, numa corrida global a esse desígnio. Corrida, aliás, pode não ser o termo certo. Regista-se uma cooperação sem precedentes neste domínio. Algumas vozes, como a do epidemiologista Seth Berkley, responsável pela Aliança Mundial para as Vacinas e a Imunização, defendem uma união de esforços naquilo que tem vindo a ser designado como o “Projecto Manhattan em versão farmacológica”. Tal como o objectivo dos Aliados na Segunda Guerra Mundial passava por desenvolver uma arma nuclear antes dos nazis, agora a missão prioritária da humanidade é encontrar, o mais rapidamente possível, uma vacina eficaz e segura.

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O virologista Luis Enjuanes, no Centro Nacional de Biotecnologia (CNB) de Madrid, dirige o laboratório de coronavírus neste centro do CSIC. Fotografia: Emilio Naranjo / EFE 

Enquanto isso, centenas de grupos  de investigação procuram identificar os fármacos e as terapêuticas que melhor funcionem no combate à doença infecciosa provocada por este coronavírus, a COVID-19. Megaensaios clínicos como o Solidarity, lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar os tratamentos experimentais desenvolvidos em colaboração por mais de quarenta países, ou o Discovery, anunciado por França, são alguns exemplos da guerra titânica e milionária que a nossa espécie declarou a este inimigo invisível e esquivo. Outro exemplo pode ser encontrado no compromisso celebrado pelas principais publicações científicas para partilhar, em tempo real, os resultados que se vão obtendo.

Quando observados ao microscópio, os coronavírus descritos em 1968 – dos quais existem 39 estirpes conhecidas – exibem uma coroa solar devido às proteínas que, sob a forma de agulhas, rodeiam a sua membrana lipídica. Essas espículas proteicas, mais especificamente as formadas pela proteína S, são as “chaves” com que o novo vírus “abre o fecho” existente na membrana das células humanas do aparelho respiratório, o receptor ACE2 (a enzima que converte a angiotensina 2). A descoberta deste “fecho”, descrito no passado dia 4 de Março na revista “Science” por cientistas chineses, é um passo muito importante para travar a batalha contra este agente infeccioso.

O epicentro do foco epidémico do SARS-CoV-2 (coronavírus 2 da síndrome respiratória aguda grave) ter-se-á registado num mercado de Wuhan, capital da província chinesa de Hubei, quando o vírus saltou de um mamífero (provavelmente o pangolim-malaio) para um ser humano. À data de fecho da presente reportagem, o surto propagara-se a uma velocidade impressionante: em menos de cinco meses, já havia mais de 2,4 milhões de casos em 210 países e 165 mil mortes. Portugal, com mais de vinte mil contágios confirmados e 735 óbitos, tem sido amplamente destacado pela gestão criteriosa das medidas de contenção, mas que mundo teremos quando cessar o maremoto sanitário, social e económico que o vírus está a provocar no planeta?

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Uma profissional de saúde é fotografada no estacionamento de um centro comercial na Corunha, onde se realizaram testes de detecção de coronavírus aos automobilistas. Fotografia: Xurxo Lobato / Getty Images 

O nome da doença foi anunciado pela OMS no dia 11 de Fevereiro: COVID-19, acrónimo do termo coronavirus disease, seguido do ano do seu aparecimento. “Queríamos um nome sem referências a uma localização geográfica, a um animal, a um indivíduo ou grupo de pessoas, que estivesse relacionado com a doença”, explicou Tedros Adhanom, director da organização. Foi importante para evitar estigmatizações porque a questão levantada pelo aparecimento da nova doença está relacionada com a maneira como a nossa espécie se relaciona com o planeta e não com um país concreto e muito menos com um animal. Os maus exemplos dos rótulos de “gripe das aves” de 2004-05 e “gripe mexicana” ou “gripe suína” de 2009-10 serviram de lembrete para uma constatação básica: um nome tem elevada importância simbólica.

“Talvez a epidemia tenha começado com um morcego numa gruta, mas foi a actividade humana que o deixou à solta”, escreveu no “The New York Times”, em Janeiro, David Quammen. Certamente, tudo aponta para que o reservatório do SARS-CoV-2 sejam os morcegos e que o vírus tenha saltado destes mamíferos para um animal intermediário. O genoma deste coronavírus é muito parecido com o que causou a epidemia da SARS entre 2002 e 2003. Em 2005, a cientista chinesa Zheng-Li Shi, do Instituto de Virologia de Wuhan, constatou que o vírus provinha destes mamíferos alados depois de estudá-los numa gruta em Yunnan, 1.600 quilómetros a sudoeste de Wuhan, e em 2017 publicou um artigo confirmando que exemplares de quatro espécies diferentes de morcegos eram portadores.

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A exemplo de tantas praças mundiais, o Terreiro do Paço, em Lisboa, apresenta-se vazio após o confinamento da população imposto pela declaração de estado de emergência. Só as actividades económicas essenciais foram autorizadas. Fotografia: Miguel Valle De Figueiredo

Essenciais para a manutenção dos ecossistemas, pois controlam pragas de insectos, dispersam sementes e polinizam plantas, estes animais são muito tolerantes aos vírus e são abundantes: existem mais de 1.100 espécies. Segundo um estudo realizado em 2018 por cientistas da China e de Singapura, a aptidão para o voo requer tanta energia que provoca o rompimento de certas células, libertando fragmentos de DNA, que ficam soltos no organismo. Noutros mamíferos, este material genético seria identificado como nocivo pelo sistema imunitário, disparando uma resposta defensiva; nos morcegos, a resposta é ténue. A reacção é similar à que ocorre na presença de vírus: defendem-se de forma eficaz, mas moderada, e não adoecem.

Dos sete coronavírus humanos conhecidos, só três provocam doenças potencialmente  mortais e todos provêm de morcegos. O primeiro emergiu em 2002 em Yunnan, na China. Foi o SARS-CoV, que provocava a síndrome respiratória aguda grave, cuja taxa de letalidade rondou os 10%, apresentando um R0 (taxa de contágio, ou seja, o número médio de pessoas contagiadas por um só infectado) de 3. Nesse caso, o animal intermediário foi a civeta, um mamífero muito popular nos mercados da China. Depois do abate dos exemplares cativos e da desinfecção das unidades de produção, o vírus desapareceu. Provocou cerca de 8.422 casos diagnosticados e 774 mortes em 30 países.

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A Espanha foi um dos países mais castigados pelo coronavírus SARS-CoV-2. À beira do colapso sanitário, as autoridades criaram espaços extraordinários para tratar dos doentes, como o Ifema de Madrid, onde se construiu um hospital de campanha com 5.500 camas e capacidade para várias UCI. Fotografia: Borja Sánchez-Trillo / Comunidade De Madrid / Getty Images

Dez anos mais tarde, em 2012, outro coronavírus potencialmente mortal surgiu na península Arábica. Designado por MERS-CoV, provoca a Síndrome Respiratória do Médio Oriente e ainda se mantém activo de forma esporádica. Neste caso, foi o dromedário a via utilizada pelo vírus para saltar para os humanos. Com uma letalidade de 35% e uma taxa de contágio inferior a 1, provocou 2.468 casos documentados em 27 países e 851 mortes.

Agora, apenas oito anos depois do primeiro surto, surge o SARS-CoV-2, felizmente menos mortal (a taxa de letalidade é certamente inferior aos primeiros números publicados,  que variavam  entre 2 e 4%, porque há muito mais pessoas contagiadas do que o número de casos confirmados), mas com um R0 elevado: cerca de 3, segundo os dados mais recentes. O intermediário? Embora não seja garantido, o pangolim é o candidato mais provável.

À medida que o drama se desenrolou no hemisfério norte a partir de Fevereiro, a maioria dos cidadãos globais interrogaram-se, surpreendidos, com a natureza efémera de todas as nossas certezas. A sensação geral é que nós, seres humanos, fomos vítimas de um ataque súbito e imprevisível desferido por um agente patogénico malévolo. Não obstante, este acontecimento não foi inesperado. “A pandemia derivada da infecção pelo vírus SARS-Cov-2 já estava anunciada pelos cientistas familiarizados com a ecologia da doença, a disciplina que estuda as condições ambientais que favorecem o aparecimento de novos agentes patogénicos”, diz Pedro Jordano, investigador da Estação Biológica de Doñana, especialista em inter-relações ecológicas. Não estamos preparados para enfrentar estas situações porque as estratégias de combate às doenças emergentes são, essencialmente, reactivas: só actuamos quando acontecem. Por outras palavras, quando é tarde de mais para evitar a primeira vaga de contágios.

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Uma imagem rara, impensável há alguns meses: na Sé-Catedral de Lisboa, minutos antes da Missa Pascal, o cardeal-patriarca Dom Manuel Clemente reflecte em silêncio perante os bancos esvaziados de fiéis, aconselhados a não comparecer. Fotografia: Miguel Valle De Figueiredo 

“As pandemias ocorrem quando abrimos brechas na natureza de forma excessiva e descontrolada, como as brechas causadas pelo comércio, a caça e o consumo de animais selvagens, a desflorestação ou a exploração excessiva de gado. Tudo isto quebra o efeito protector da biodiversidade e favorece a transferência de agentes patogénicos”, acrescenta Pedro Jordano. “A isto há que somar ainda dois elementos fundamentais: primeiro, o facto de só conhecermos cerca de 1% dos vírus dos animais selvagens; segundo, a densidade cada vez mais elevada da população humana e a sua mobilidade sem precedentes promovem uma infinitude de vias de contágio.”

Nada ficará igual depois desta crise global. Será preciso modificar o paradigma de actuação face às pandemias porque outras surgirão no futuro. Para tal, será necessário realizar mais investigação em laboratório e inventariar os potenciais vírus emergentes. A investigação terá também de ser canalizada para o conhecimento das condições ambientais que favorecem a transferência de agentes patogénicos para os seres humanos.

Esquecendo o drama que está em primeiro plano, são estas as directrizes de iniciativas recentes, como a desenvolvida pela organização EcoHealth, dirigida por Peter Daszak, que colaborou na identificação da origem do vírus da SARS e da doença que provocou a diminuição de anfíbios em todo o mundo, a quitridiomicose. Peter sublinha que existe uma relação evidente entre o comércio internacional e as doenças emergentes e defende que é preciso consolidar uma saúde global única que proteja ecossistemas, fauna e seres humanos. “Sabíamos que a doença X chegaria um dia. Pois bem, aqui está ela”, dizia em Fevereiro no “The New York Times” este especialista em doenças zoonóticas. Em 2018, ele e outros  especialistas  já falavam deste risco numa  reunião  da  OMS. “A doença X, dissemos então, surgiria provavelmente de um vírus com origem nos animais, em alguma parte do planeta onde o desenvolvimento económico incite os seres humanos a invadirem a vida selvagem. Provavelmente, será confundido com outras doenças no início do surto, propagando-se de forma rápida e silenciosa, aproveitando redes de transporte e de comércio. Chegará a vários países, impedindo a sua contenção. A doença X terá uma taxa de letalidade mais alta do que a gripe sazonal e propagar-se-á facilmente. Abalará os mercados financeiros, antes até de atingir o estado de pandemia. Em poucas palavras, a COVID-19 é a doença X.” Três anos antes, em 2015, Bill Gates proferira uma palestra TED alertando para o perigo de uma pandemia iminente e de quão pouco preparados nos encontrávamos para ela. Não acredite por isso nos discursos que garantem que nada poderia ter sido feito para prever este problema global. Na verdade, ele estava previsto.

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Uma adolescente vê uma série no seu computador portátil, no quarto. Para lá da janela, o ar da cidade apresenta-se mais limpo devido à quarentena. Fotografia: Carlos Álvarez / Getty Images

Com apenas 120 nanómetros de diâmetro, este coronavírus transmite-se entre seres humanos penetrando pelo nariz, pela boca e pelos olhos através das gotículas provenientes das vias respiratórias de pessoas infectadas, mesmo que assintomáticas. Repletas de partículas virais, emitem-se pela respiração, os espirros e a tosse e transmitem-se pelo ar. Também podem penetrar ao tocar no rosto com mãos contaminadas, após contacto com superfícies inertes, nas quais o vírus pode sobreviver durante algum tempo. O tempo de sobrevivência do vírus em cada superfície motiva ainda acalorados debates.

Uma vez dentro do organismo, o coronavírus adere às nossas células respiratórias: as proteínas S dão-lhe o seu revestimento e unem-se ao receptor ACE2 da célula humana, acedendo ao interior. Ali chegado, o vírus, que não consegue reproduzir-se por si mesmo, utiliza a máquina de replicação da célula para proliferar: de um único SARS-CoV-2 podem sair 100.000 novos vírus. Ao longo do processo, a célula hospedeira morrerá e os novos vírus infectarão as células vizinhas. Devido à destruição celular, o tecido sofre lesões, causando tosse seca quando as vias respiratórias superior e intermédia são afectadas. Se a infecção alcançar novas células do tecido respiratório inferior, os alvéolos podem encher-se de células mortas, tecido e exsudado inflamatório, desencadeando uma pneumonia.

Perante um agente patogénico invasor, o sistema imunitário reconhece o agente estranho, activa a resposta imunitária e causa febre, que serve para combater ou debilitar determinados microrganismos patógenos. Em estado de alarme, o organismo mobiliza mais células imunitárias para lutar contra o vírus, as quais produzem proteínas chamadas citocinas, que vão ser responsáveis pela activação de sinais para atrair mais células de defesa ao local da infecção. Em algumas pessoas infectadas, independentemente da idade, a resposta imunitária face ao SARS-CoV-2 é desproporcionada, associada a uma quantidade anormalmente elevada destas proteínas. É aquilo a que se chama “tempestade de citocinas”, causadora de um estado de inflamação que pode provocar a morte do paciente. Isto costuma acontecer depois da fase aguda da infecção viral. Quando o quadro infeccioso inicial parece entrar em remissão e já não há tanta carga viral, tipicamente cinco a sete dias após o início dos sintomas, o sistema imunitário descontrola-se e provoca esta tempestade citocínica que desencadeia um agravamento clínico.

Calcula-se que mais de metade da população mundial contraia o SARS-CoV-2 no futuro próximo. Uma elevada percentagem das pessoas infectadas quase não apresentam sintomas e cerca de 14% são assintomáticas. Em  contrapartida, um número assustador de profissionais de saúde, permanentemente em contacto com o vírus, tem sido infectado, o que duplica o efeito pernicioso da doença: por um lado, reduz o número de médicos e enfermeiros em condições de assistir doentes e, por outro, tem provocado mortes no seio da comunidade mais preparada para combater a pandemia. Em vários pontos do globo, equipas de virologistas procuram formas engenhosas de superar o vírus, criando a vacina que tem sido amplamente reivindicada de Pequim a Nova Iorque. Uma vacina, porém, exige tempo e experimentação, bem como a certeza de que eventuais resultados inesperados não serão desencadeados por ela.

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Origem e efeitos do coronavírus. O paciente zero deverá ter sido um homem de 55 anos infectado no dia 17 de Novembro de 2019. Independentemente dessa identidade, o foco epidémico eclodiu em Wuhan, quando um novo coronavírus colonizou o ser humano depois de saltar de um morcego para outro mamífero e sofrer uma mutação. O SARS-CoV-2 provoca a doença respiratória COVID-19, a qual, numa pequena percentagem da população, pode desencadear a morte por síndrome respiratória associada a pneumonia. O combate à doença requer uma abordagem multidisciplinar. Infografia: David Martínez; Fontes: Cnb-Csic; Robert Güerri; Irta

O coronavírus apresenta outra dificuldade: os animais tradicionalmente usados em ensaios de laboratório não têm grande utilidade para testar vacinas para este vírus, pois muitos não são susceptíveis à doença. Num artigo recente, publicado na “Stat”, Eric Boodman chamava a atenção para o facto de os ratinhos de laboratório não serem susceptíveis à doença e, portanto, não poderem servir de modelo. No surto de síndrome respiratória aguda grave, foi necessário facilitar a infecção nestas cobaias, “manipulando as suas células com a molécula humana que permite a penetração de alguns coronavírus”. Simplesmente, após o surto, os cientistas não conseguiam justificar a despesa de manter estes novos ratinhos e agora “não há exemplares suficientes para as experiências necessárias”, acrescentou.

No mesmo artigo, Mark Feinberg, director-geral da Iniciativa Internacional para a Vacina da Sida, considerava que o tempo normal de desenvolvimento de uma vacina é de 15 a 20 anos, um intervalo impossível de contemplar perante uma epidemia galopante. “Vamos ter de ponderar outras abordagens”, mesmo que isso implique escolhas desconfortáveis. Uma delas é contrariar o paradigma habitual e iniciar testes com voluntários humanos antes de provar a segurança dos mesmos.

Existe uma verdadeira batalha informativa sobre a possibilidade real de se chegar a uma vacina contra este vírus no espaço de um ano a um ano e meio. Escassos 42 dias após a identificação da sequência genética deste vírus, a empresa de biotecnologia Moderna Therapeutics anunciou que em breve estaria pronta para iniciar ensaios clínicos. A notícia, naturalmente, percorreu o globo. Mas quão perto estamos de facto de uma nova vacina? Se analisarmos o caso mais bem sucedido da história da saúde pública, o desenvolvimento de uma vacina para a papeira, percebemos que passaram quatro anos, entre 1963 (o ano em que se colheram as primeiras amostras virais) e 1967, o ano em que se concluíram os ensaios e a vacina ficou pronta para inoculação a grande escala. “Doze a dezoito meses seria absolutamente inédito na história", disse em Abril à National Geographic Peter Hotez, da Escola Nacional de Medicina Tropical da Universidade de Baylor. “Talvez com nova tecnologia e com um enorme investimento aplicado, isso possa suceder, mas temos de ter muito cuidado com essas estimativas de tempo."

Além da demanda pela vacina, os cientistas testam fármacos antivirais já utilizados para tratar outras doenças, como o remdesivir utilizado contra a MERS, e outros fármacos usados para combater parasitas. Para travar a resposta inflamatória excessiva, testam-se inibidores específicos das citocinas. Outras abordagens terapêuticas em curso incluem o uso de soro sanguíneo de pacientes que já superaram a infecção, cujos anticorpos poderão ajudar os doentes. Com toda a probabilidade, a primeira arma de combate ao surto virá destas ou de outras soluções terapêuticas após comprovada a sua eficácia.

Até à aprovação de uma vacina eficaz,a principal estratégia da sociedade contra um vírus desconhecido passa por medidas de contenção, pela experimentação controlada de fármacos e pelos esforços titânicos dos especialistas que expressam com eloquência a melhor faceta do ser humano: a capacidade de cooperação e entreajuda. Esperemos que, enquanto sobrevivemos em regime de confinamento, possamos discernir o mundo que queremos quando superarmos este transe. Que gestão dos ecossistemas faremos para que o próximo vírus surja o mais tarde possível? Como fortaleceremos os sistemas de saúde e de ciência e a capacidade de resposta a outras pandemias e de que forma abordaremos as crescentes desigualdades sociais e os efeitos da globalização? O regresso à normalidade não é uma opção. Essa normalidade é o cerne do problema.

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