Os crimes contra as Aves

“Identifico as vítimas dos crimes contra a vida selvagem… se a vítima for uma ave.” É assim que o ornitólogo forense Pepper Trail (em cima) resume o seu trabalho. 
A profissão e a posição que ocupa é tão rara que só existem duas pessoas nos Estados Unidos a ocupá-la.

O trabalho é inerentemente macabro. Pepper começa por seleccionar amostras a partir das provas (ossos e penas ou mesmo carcaças inteiras) que os agentes responsáveis pela aplicação da lei da vida selvagem lhe enviam. De seguida, executa análises. Às vezes, reconhece a espécie imediatamente; se não consegue, desenvolve um exame prolongado que envolve a construção de uma teoria a partir de indicadores como comprimento e padrão da plumagem. Assim que o investigador identifica a espécie, o seu trabalho geralmente termina. Os seus colegas do Serviço de Vida Selvagem dos EUA, estudarão, se necessário, a vítima para isolar o DNA ou para determinar a causa da morte.

Muitas vezes, as aves foram atingidas a tiro ou capturadas em armadilhas. Algumas morrem no circuito de tráfico ilegal de aves. Outras são mortas e transformadas em acessórios ou talismãs. Pepper Trail há muito que segue o que no México é denominado por chuparosas, os colibris secos vendidos como amuletos do amor.

O investigador tem de ser objectivo nos cerca de cem casos por ano com que lida, embora por vezes se emocione. Saber que o animal “morreu de forma horrenda” não é fácil de aceitar. “Mas retiro satisfação do facto de saber que consigo chamar a atenção para um determinado problema.”

Os colibris são muitas vezes abatidos com fisgas e são vendidos nos mercados como amuletos para jovens casais.

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