Gemina Garland-Lewis

Texto de Gonçalo Pereira Publicado em janeiro de 2013

Gemina

“Há quatro anos, escutei um homem de 77 anos, chamado José Luís Garcia”, conta. “Ele reflectia sobre o tempo que passara na caça à baleia e descrevia-o como o melhor da sua vida. Fiquei cativada pelas histórias e pelas lágrimas que ele derramava pela sua actividade.” Dessa conversa inicial e da constatação de que homens como Garcia tinham idades avançadas e forneciam uma janela limitada de acesso ao passado, nasceu o ímpeto para um projecto de preservação da memória oral dos baleeiros açorianos.

Do ponto de vista etnográfico, concentram-se nos Açores duas especificidades: por um lado, a moratória que travou a caça à baleia foi imposta em 1984, o que significa que muitos dos intérpretes desta actividade ainda estão vivos e têm histórias para contar; por outro lado, nos Açores, a actividade manteve sempre um forte pendor tradicional, “o que a aproxima da indústria mais facilmente associável ao século XIX do que aos anos 1980”, diz Gemina.

Durante seis semanas, a investigadora entrevistou 30 homens e duas mulheres ligados à baleação das ilhas do Faial, Pico e São Jorge. A sua idade variou entre os 58 e os 96 anos.

Símbolo de prestígio social, de alguma prosperidade e de aventura, a caça à baleia terminou em 1984, mas manteve-se presente nos sonhos de muitos destes homens. Um deles confidenciou a Gemina Garland-Lewis que “voltaria neste mesmo instante a subir para um baleeiro se pudesse”. Outros reconheceram a evolução cultural da maneira como os cetáceos são agora vistos e protegidos. Espreite as histórias, o relatório e as fotografias da autora aqui.

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