Agostinho Antunes

Texto de Gonçalo Pereira Publicado em agosto de 2005

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Foi precisamente o estudo desta última espécie (Manis javanica) que intrigou o investigador português, que trabalhara anteriormente no Laboratório de Diversidade Genómica do Instituto Nacional do Cancro, em Maryland (EUA).

A comparação de espécies de museu e a análise de marcadores genéticos permitiu a Agostinho Antunes e a Philippe Gaubert, do Museu de História Natural de Paris, identificar uma oitava espécie (Manis culionensis), circunscrita a duas ilhas das Filipinas (Palau e Culion) e com necessidades urgentes de conservação. Em rigor, a distinção taxinómica chegou a ser feita na primeira metade do século XIX, mas rapidamente foi abandonada. Até agora. "Durante os períodos de glaciações do Plistocénico, a descida do nível do mar criou pontes terrestres que ligaram ilhas a plataformas continentais", explica o geneticista. A plataforma de Palau terá permitido ao pangolim-malaio acesso a regiões insulares remotas, iniciando um processo de especialização. A existência de florestas tropicais, mesmo durante os períodos de glaciação, terá facilitando a rápida (em termos geológicos) diferenciação deste mamífero, proporcionando-lhe um ecossistema muito particular, que lhe exigiu novas adaptações.

A experiência de Agostinho Antunes no Laboratório de Diversidade Genómica, instituição fortemente vocacionada para a genética molecular aplicada à conservação (Ver "Gatos", Janeiro de 2003), inspirou o investigador a estudar os pangolins, grupo de animais pouco conhecidos e especialmente propensos a associações erróneas com papa-formigas, preguiças e tatus. "Em 2003, na crise de pneumonia atípica, pensou-se erradamente que os pangolins seriam os reservatórios da doença. E verificou-se que a ciência conhecia pouco sobre estes mamíferos, muito mais parecidos com os carnívoros do que pensávamos."

Promovendo colheitas em África e na Ásia, graças a uma extensa rede de colaboradores, Agostinho Antunes recolheu amostras de 111 espécimes. Algumas colheitas de sangue e tecidos foram cedidas por jardins zoológicos e centros de recuperação de espécies; outras resultaram de missões directamente planeadas para capturar animais, como no Sri Lanka. Por fim, em África, foi possível comprar animais em mercados ou aproveitando apreensões em grande escala de animais ilegais. "Ao longo deste estudo, percebemos que há espécies com enorme valor económico, porque alimentam mercados alimentares ou medicinais. A definição de estratégias de conservação torna-se por isso urgente em algumas regiões do Leste asiático e da África Central", conclui.

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