Nuno Bicho

Texto de Gonçalo Pereira Publicado em novembro de 2001

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O investigador da Universidade do Algarve, que contou com o auxílio de cinco investigadores estrangeiros, procurou traçar conclusões sobre as comunidades que ocuparam a Lapa, através do estudo dos ossos e vértebras encontrados nos diferentes níveis arqueológicos. Uma das curiosidades mais intrigantes foi a constatação de que as centenas de fémures de coelho descobertos apresentavam as extremidades partidas. “Testámos várias hipóteses, mas o problema parecia insolúvel. Foi nessa altura que o senso comum prevaleceu. E se estes homens tivessem descoberto que, ao partir a extremidade dos ossos grandes, poderiam sugar o tutano e aumentar a sua dieta energética?” – sugere o arqueólogo, cuja pesquisa já confirmou igualmente a presença de vértebras de peixes e de moluscos marinhos no interior da Lapa. “Só encontrámos as vértebras da cauda dos peixes. Pelo que sabemos, os habitantes da Lapa deveriam comer o peixe por inteiro.”

A análise dos dados inicia-se agora, mas há aspectos comportamentais que Nuno Bicho destaca desde logo. “Descobrimos as ocupações paleolíticas nos únicos locais da gruta aquecidos pelo Sol. Será coincidência ou uma reacção lógica ao frio que se deveria fazer sentir nesta zona há 10.000 anos?” Curiosamente, na última semana de trabalho, na área mais funda da gruta – já correspondente ao Paleolítico Médio –, foram reveladas algumas lascas de sílex, que prenunciam uma ocupação humana muito mais antiga do que se supunha. E talvez um novo projecto do arqueólogo português…

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